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Economia

14/03/2018

Cia do Jeans compra licença da Wrangler

Empresa mineira vai produzir roupas da tradicional marca norte-americana no Espírito Santo
Ana Carolina Dias
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A mineira Cia do Jeans, que tem sede em Belo Horizonte, adquiriu a licença para confeccionar o tradicional jeans da Wrangler em sua planta industrial de Colatina, no Espírito Santo. Detentora da Vilejack Jeans, da Scanner  e da Enrico Rossi, a empresa encerrou as negociações com a VF Corporation em dezembro do ano passado e a primeira coleção sob novo comando chega às lojas neste mês. A operação prevê o pagamento de um valor mínimo de royalties mensal, que não pode ser divulgado por questões contratuais, e deve aumentar o faturamento da Cia do Jeans em cerca de 20% em 2018. Com 250 funcionários próprios e 1.200 terceirizados, no ano passado o grupo registrou crescimento de faturamento também na casa dos 20% na comparação com 2016.

A produção inicial de 80 mil peças é a mesma da coleção western Outono-Inverno 2017/2018 norte-americana e tem como objetivo alcançar o público A e B, fiel à marca criada em 1947, que, até o final de 2017, era comercializada no Brasil pela própria VF Corporation, detentora também das icônicas Lee, Timberland, Vans, entre outras etiquetas. Com o licenciamento, a Cia do Jeans passa a produzir uma média de 200 mil peças por mês e vai aumentar a importação para a faixa de 80 mil peças por mês.

O diretor do grupo Cia do Jeans, Fernando Abras, explica que os produtos da Wrangler no Brasil estavam sendo importados dos Estados Unidos e, com a elevação do câmbio, houve perda de mercado com o consequente aumento dos preços. Ele detalha ainda que a VF Corporation solicitou adequação da indústria e matéria-prima, além de visitas aos fornecedores para verificar os padrões exigidos pela marca. “A Wrangler começou um processo de licenciamento da marca no mundo inteiro e pesquisaram uma empresa que tivesse o perfil aqui. Vamos dar continuidade ao trabalho que estava sendo feito, mas, ao invés de importar, vamos produzir”, afirmou Abras.

Planejamento – Com o compromisso da retomada da linha urbana, a Cia do Jeans desenvolveu um plano de negócios para os próximos cinco anos. Segundo Abras, o planejamento para os dois primeiros anos é aumentar a participação multimarca, principalmente na moda urbana, que não tem grande representatividade da marca no País. A partir do terceiro ano, a previsão é começar com lojas próprias. O plano prevê ainda que, já no primeiro ano, os atuais 800 pontos de venda aumentem para 1.500 e, com isso a projeção para o final de 2022 é dobrar o faturamento da Cia do Jeans, que entra, com a Wrangler, em uma nova fatia do mercado.

Para a linha urbana, 40% das peças serão iguais às fabricadas no mundo todo com a etiqueta da Wrangler e o restante já chega com design próprio da confecção brasileira. “A coleção que lançamos em março é a mesma norte-americana, uma linha para o público country no Brasil, bem segmentado. A partir de maio, lançamos a coleção urbana buscando alcançar outro perfil de consumidores. Retomar o mercado perdido por causa de preços e, em paralelo começar a linha urbana e fazer a distribuição multimarca para o varejo”, disse o diretor.

Dessa primeira coleção, linha western, calças, camisetas, t-shirts e pólo são de fabricação própria, enquanto as camisas de tecido plano continuam sendo importadas. Para isso, a Cia do Jeans investiu na compra de máquinas específicas para o jeans de montaria que tem costuras mais reforçadas. Fernando Abras acredita também que haverá a necessidade de abrir novos postos de trabalho para atender a demanda do mercado.

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