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DC Turismo

16/06/2018

Cidade de São Paulo se reiventa como destino turístico e colhe os resultados

Toni Sando de Oliveira, presidente do Visite São Paulo e da União Nacional dos CVBs e Entidades de Destinos
Daniela Maciel
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Nas últimas décadas São Paulo se reinventou como destino turístico e além dos turistas de negócios ganhou o interesse e o coração de quem busca atrativos de lazer, cultura, gastronomia e história. A cidade já rivaliza com destinos clássicos de lazer e como Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA), inclusive no verão. De acordo com dados do Ministério do Turismo (Mtur), divulgados em dezembro do ano passado, a previsão de viagens para a temporada em todo o Brasil era de 74 milhões. São Paulo liderava o ranking com 3,28 milhões, concentrando 4,43% do total. Na sequência vinham Florianópolis (SC), com 2,09 milhões (2,82%) e Rio de Janeiro (RJ), com 2,03 milhões (2,74%).

O São Paulo Convention & Visitors Bureau – que hoje se apresenta sob a marca Visite São Paulo - é o primeiro convention da América do Sul. Com 34 anos de existência, congrega atualmente mais de 700 associados que representam diversos segmentos do setor turístico paulistano e dos destinos associados.

Em visita a Belo Horizonte, o presidente do Visite São Paulo e da União Nacional dos CVBs e Entidades de Destinos (Unedestinos), Toni Sando de Oliveira, para evento promovido pelo Belo Horizonte Convention & Visitor Bureau (BHC&VB), conversou com exclusividade com o DIÁRIO DO COMÉRCIO. A conversa foi sobre como São Paulo tornou o turismo uma das molas do seu desenvolvimento econômico, o papel das iniciativas pública e privada e como Belo Horizonte pode aproveitar as suas potencialidades e seguir um caminho próprio como destino desejado.


O entendimento sobre São Paulo como uma cidade que vai muito além dos negócios e sem abrir mão dessa característica aumentou muito nas últimas décadas. Como isso aconteceu? Como trabalharam para mostrar que a cidade poderia ser interessante para diferentes perfis de público?

São Paulo cresceu muito e isso trouxe o entretenimento. Hoje o homem de negócios não quer só trabalhar, ele quer também aproveitar a cidade. As pessoas têm misturado muito lazer com negócios e isso é uma tendência mundial. As pessoas quando vão viajar não ficam limitadas só à atividade profissional. Elas tentam encontrar alguma coisa que possa ser memorável para o retorno dela. Você tem destinos que tem muito boa gastronomia, outros muita cultura, alguns com muita área verde, e ainda os que se destacam na área religiosa…

Então, quem está indo a negócios têm aproveitado muito de cada um desses. O profissional de negócios ele paga, pega reembolso, enfim, gera receita, e tudo isso faz o destino prosperar. São Paulo, como é o principal hub de negócios do Brasil, acabou facilitando muito isso. O nosso debate é que a maioria das cidades, especialmente as grandes capitais, está muito parecida. Belo Horizonte, por exemplo, se parece muito com São Paulo. Tem uma atividade econômica forte e também proporciona algumas experiências.

Claro que um avanço como esse vivido por São Paulo demanda proatividade da iniciativa privada e vontade e investimentos públicos. Diante de tantas demandas feitas ao estado, como se convence o setor público a olhar o turismo como a mola de desenvolvimento que ele pode ser?

Diante de tantas mudanças de ministros e secretários – no Brasil foram dez ministros (do turismo) em dez anos e no estado de São Paulo seis secretários (de turismo) em apenas um ano – chegamos à conclusão que não existe salvador da Pátria. É da iniciativa privada que o turismo pode crescer e se desenvolver. O que esperamos do governo é que ele trabalhe na infraestrutura, que é a obrigação dele, mas que não precise interceder diretamente nas atividades promocionais do destino.

No poder público nem sempre há continuidade e quando isso acontece acaba frustrando todo o empresariado. Falamos muito em ações integradas de hospitalidade. Essas ações podem ser desenvolvidas por meio da associação comercial, conselhos municipais ou do próprio convention bureau, que é um núcleo multissetorial, por exemplo.

Quando o convention é ativo, estimula o empresariado a criar campanhas, promoções, a falar a mesma língua, isso alavanca o turismo. A atividade turística não caminha sozinha. Ela precisa de unidade e mobilização da cadeia produtiva. Temos acompanhado as atividades dos conventions pelo Brasil e o fato é que os destinos estão acordando mais para o turismo como negócio e isso faz com que alguns deles tenham criado centros de convenções, outros tenham instalado hotéis e tudo isso acaba tornando cada destino mais competitivo do que antes. Com esse aumento de competitividade o destino que não estiver atento vai perder visitantes. O movimento, então, é ficar atento e todo mundo trabalhar muito para o alinhamento da proposta de trazer eventos e fazer com que o viajante se torne um visitante.

Nós, turistas comuns, temos uma ideia do turismo como uma coisa de curto prazo. Mas a captação, o planejamento é de médio e longo prazos. Uma captação pode demorar anos. Como aliar o planejamento de curto prazo, com a necessidade de ocupação dos hotéis e as necessidades de infraestrutura, como a criação de espaços de eventos, por exemplo?

Por isso que o trabalho tem que ser contínuo e perene. Governos mudam, mas equipes de convention bureau não precisam mudar. Eventos que negociamos antes da Copa de 2014 estão acontecendo agora, formando uma carteira. O hoteleiro, por exemplo, tem a angústia do curto prazo, mas se ele tem a equipe comercial e os canais de distribuição dele, e sabe que existe um outro grupo que está trabalhando a médio e longo prazos pra ele, ele tem a segurança de que o futuro tenha uma luz com a captação desses eventos que vão acontecer.

São agendas que se cruzam. É assim que funciona. O trabalho dos conventions têm três pilares: captação, capacitação e comunicação. Captar é garantir o futuro; capacitar é preparar as pessoas e comunicar é estar sempre embalando a cidade, fazer a promoção do destino.

Da sua observação sobre os conventions e os destinos, o que consegue apontar como potencialidades do turismo em Belo Horizonte?

Belo Horizonte passa por uma fase que São Paulo passou há dez anos, que era um excesso de oferta hoteleira. Isso fez com que São Paulo se tornasse a capital de negócios da América Latina. Às vezes, uma coisa que é ruim em um período se torna totalmente favorável no futuro. O excesso de oferta dá condições para a cidade abrigar mais gente, mais eventos e mais negócios. Então é uma questão de paciência e de acreditar que as coisas podem dar certo. A economia mundial tende a crescer. A gente passa por turbulências econômicas e políticas, mas isso não é novidade. A cidade que tem equipamentos e estrutura facilita muito nessa competição pela captação de eventos. Ela pode proporcionar aos organizadores condições mais favoráveis para que se viabilize o evento na região. Hoje a cidade é muito mais competitiva. É preciso ter equipe técnica em campo o tempo todo, existe monitoramento dos eventos que acontecem e vão acontecer e tem que ter gente o tempo todo pra se colocar nessas candidaturas.

Existe mão de obra qualificada para essa demanda?

Não falta gente, falta treinamento. Falta o gerente do hotel explicar para o recepcionista a importância dele, falta o dono da loja explicar para o balconista a importância dele, o gerente do banco falar para o caixa. Falta orientação. Serviços, hoje, no Brasil está muito aquém do que já se propôs a ser. O brasileiro tem todo esse seu jeito de receber bem, mas falta uma consistência técnica. E quem tem que falar isso para o funcionário é o gestor dele. Falta a pessoa entender a importância dela para a atividade. E aí é treinar. Isso é muito importante até porque somos consumidores mais exigentes. Ninguém viaja sem olhar os comentários sobre o destino na internet. Hoje vivemos em um mundo em que ‘eu vivo, eu curto, eu compartilho’. O grande perigo do mercado não estar atento é que tem outros que estão. Existem destinos preocupados em atender melhor porque entenderam que disso depende a sobrevivência deles. E isso não tem a ver com preço, tem a ver com posicionamento. O perigo de não nos posicionarmos é que alguém nos posicione fora do jogo.

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