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Agronegócio

17/05/2017

Cigarrinha preocupa os produtores de milho em Minas Gerais

Insetos transmitem doenças para as lavouras
Michelle Valverde
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Quando contaminadas, as cigarrinhas transmitem as doenças à lavoura em poucas horas/Guto Andrade/MC Press
Com o fim do plantio da segunda safra de milho, os produtores de Minas Gerais estão preocupados com a maior incidência da cigarrinha (Dalbulus maidis) nas lavouras. O inseto, que tem presença constate no campo, é vetor de doenças que causam perdas expressivas na produtividade da cultura. O monitoramento das lavouras, o uso de sementes tratadas e a identificação de plantas doentes são os principais cuidados que os produtores devem adotar. A aplicação de inseticidas para o controle da cigarrinha deve ser feito de forma cautelosa, pois a pulverização excessiva pode matar os inimigos naturais da cigarrinha e contribuir para a infestação ainda maior.

De acordo com a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Elizabeth de Oliveira Sabato, a cigarrinha é constante nas lavouras e, por si só, não causa doenças. Porém, os insetos são vetores de microrganismos denominados molicutes (bacterias), que são um espiroplasma (Spiroplasma kunkelii) e um fitoplasma (Maize bushy stunt). Quando contaminada, a cigarrinha transmite, em questão de horas, as doenças conhecidas como enfezamentos.

“Podemos comparar a cigarrinha com o mosquito da dengue, o mosquito não provoca a doença, mas, quando contaminado, distribui o vírus. Quando contaminadas, as cigarrinhas transmitem as doenças em poucas horas e, as principais consequências, são sentidas na fase produtiva do milho. As plantas geralmente apresentam porte menor, as folhas ficam avermelhadas ou esbranquiçadas e as espigas, além de menores, apresentam poucos grãos”, explicou a pesquisadora Elizabeth de Oliveira Sabato.

Em Minas Gerais, os relatos das doenças provocadas pelas cigarrinhas contaminadas estão mais constantes. A coordenadora regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), em Uberaba, no Triângulo, Guilhermina Maria Severino, explica que na primeira safra, foram registradas perdas em cerca de 10% da área de milho, por isso, os produtores devem ficar atentos ao longo da segunda safra.

“Na região, alguns produtores registraram perdas bem significativas. Para a segunda safra, o produtor deve redobrar a atenção, principalmente pela condição climática que favorece o aparecimento das doenças” disse Guilhermina.

As condições ideais para a reprodução das cigarrinhas e das bactérias por elas distribuída são temperaturas acima de 17 graus durante as noites e de 27 graus ao longo do dia, o que é facilmente alcançado no período da safrinha de milho.

Monitoramento - A pesquisadora da Embrapa, Elizabeth de Oliveira Sabato, reforça que o monitoramento das lavouras é essencial para evitar a proliferação das doenças. Além disso, quando identificadas as doenças transmitidas pela cigarrinha nas lavouras de milho, todos os produtores da região devem adotar meios de controle, já que o inseto migra entre as lavouras.

Dentre os cuidados para o controle, Elizabeth explica que o inseto-vetor dos molicutes sobrevive apenas no milho e, habitualmente, migra de lavouras com plantas adultas para lavouras com plântulas recém-emergidas. Por isso, manter lavouras de milho em idades diferentes pode aumentar o risco.

Outra forma que favorece a manutenção da praga no campo é a presença de plantas de milho oriundas de grãos remanescentes de colheita anterior. Estes exemplares servem de reservatório tanto de molicutes quanto de cigarrinhas.

“As medidas de controle devem ser adotadas simultaneamente por todos os produtores da região onde o milho foi infectado. É importante diversificar e rotacionar cultivares de milho, sincronizar ao máximo a época da semeadura nas regiões e tratar as sementes com inseticidas”.

Ainda segundo Elizabeth, no caso do tratamento das sementes com inseticidas, existem relatos de produtores que adotaram a técnica e estavam longe de lavouras doentes e, com isso, conseguiram reduzir em 60% a incidência da cigarrinha na lavoura.

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