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20/03/2018

Comece antes que seja tarde

Sem fluxo de caixa e investimento, empresas não conseguem se recuperar
Daniela Maciel
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Mariana Assis: medida é instrumento útil/Divulgação
A recuperação - ainda que frágil - da economia brasileira em 2017 deu um pequeno alívio aos empresários. Os pedidos de falência caíram 18,2% no acumulado de 2017 em relação a 2016. Já as falências decretadas subiram 2,9% no ano passado, enquanto os pedidos de recuperação judicial em andamento tiveram queda de 23,7% e os já deferidos, de 18,9%. Os dados, com abrangência nacional da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), foram divulgados em janeiro.

Seguindo a tendência esperada pela Boa Vista SCPC, os indicadores continuaram recuando quando observados pelos valores acumulados em 12 meses. O setor de serviços teve o maior percentual nos pedidos de falência (44%), seguido pelos setores industrial, com 30%, e do comércio, com 26%. Em relação a 2016, a indústria foi o setor que mais registrou queda na comparação dos valores acumulados no ano de 2017, com queda de 33%. Mantida base de comparação, o comércio teve redução de 12% e o setor de serviços 8%.

Apesar dos indicadores menos ruins, o medo da falência é bastante real para um bom número de empresas que chegam ao final de crise combalidas. Estar atento aos sinais e acertar o tempo de resposta para a crise é fundamental para salvar a operação. Segundo o advogado do Stocche Forbes, especialista em Recuperação Judicial, Domingos Refinetti, a questão cultural é um dos maiores entraves para a solução do problema.


Tomada de decisão - “Os empresários brasileiros, especialmente os responsáveis por médias e pequenas empresas, presos, muitas vezes, em estruturas familiares, resistem muito em reconhecer, até para eles próprios, que as empresas estão, eventualmente, em situação complicada. Por isso a tomada de uma decisão que consiga encaminhar uma solução acaba demorando muito. E quanto mais demora, pior fica a situação da empresa”, explica Refinetti.

Para o especialista, ao tomar essa consciência, o gestor precisa, imediatamente, tomar algumas providências como cessar toda tomada de crédito junto ao mercado e contratar um assessor financeiro que seja capaz de renegociar dívidas e estabelecer um diálogo com credores e mercado. Isso é primordial, inclusive, para que nos casos mais graves, em que seja preciso uma recuperação extrajudicial ou judicial, a empresa chegue com mais fôlego para as negociações.

“Quando as empresas entram nesse grau de dificuldade é comum que recorram ao mercado, especialmente aos bancos, em busca de crédito, aceitando taxas muito altas, condições abusivas e onerando seriamente os ativos. Isso tem que parar imediatamente. Em seguida é preciso contratar um profissional externo para que ele renegocie e reestruture as condições dos empréstimos, de taxas e alongue as dívidas com os credores, salvando ativos e caixas. Se isso for bem feito é possível evitar os instrumentos judiciários”, pontua o advogado especialista em recuperação judicial.

Em muitos casos, porém, a recuperação judicial é o último instrumento para evitar uma falência. O objetivo principal da recuperação judicial é apresentar um plano de recuperação que demonstre que apesar das dificuldades que passa no momento, a empresa tem condições de se reerguer, pagando de forma condicionada as dívidas, e retornando ao setor produtivo com todo o seu potencial, beneficiando a todos que dependem de sua manutenção como empregados, credores e governo.

A advogada do escritório Grebler Advogados, Mariana Assis, alerta que a recuperação judicial é um instrumento útil e eficiente, porém, deve ser utilizado de maneira bem planejada. “É muito importante que, antes de optar pela recuperação judicial, o empresário tente outras alternativas como mudança no quadro societário, negociação direta, fusão e incorporação, por exemplo. A recuperação pode ser um processo demorado e tem alguns pré-requisitos, como a necessidade de ser uma empresa com, no mínimo, dois anos de atividade regular e não pode ter aberto outro pedido de recuperação ou falência nos últimos cinco anos”, destaca Mariana Assis.

A recuperação é feita com base em um plano que mostre que a empresa tem capacidade de se reerguer. Por isso ações prévias que busquem a solução do problema são tão importantes, pois elas mostram a disposição e a capacidade de a empresa se recuperar. Quando o plano é aceito pelos credores e homologada pelo juiz, as ações de cobrança ficam suspensas por 180 dias. Assim a empresa ganha tempo se reequilibrar financeiramente.

Já quando a empresa vai à falência, o Judiciário nomeia o administrador-judicial para tomar conta da empresa. O papel dele é levantar os ativos e passivos e realizar os pagamentos que são feitos de acordo com a ordem estabelecida na lei. A prioridade entre as classes credoras é a mesma tanto na recuperação judicial quanto na falência: credores trabalhistas; credores com direitos reais de garantia ou privilégios especiais; credores quirografários e com privilégios gerais; e credores representantes de microempresas e empresas de pequeno porte.


MOTIVAÇÃO DEVE SER MANTIDA

Empresas em crise financeira ou que estão se aproximando de um momento crítico como o pedido de recuperação judicial ou falência enfrentam um desafio gigantesco que vai além de arrumar uma maneira de honrar compromissos assumidos: manter o bom clima organizacional e, com isso, a motivação das equipes.

Para o consultor especialista em Recursos Humanos da Talenses Executive Search, Alexandre Benedetti, as informações sobre a saúde financeira das companhias sempre circulam entre os colaboradores, independentemente do setor ou porte da empresa. A antiga “rádio-peão” pode ter se modernizado e ser transmitida pelas redes sociais, mas continua e nunca vai deixar de funcionar.

“Um pedido de recuperação judicial ou de falência é uma informação pública e precisa ser tratado pela empresa como tal. Em qualquer fase da vida corporativa a comunicação precisa ser transparente, objetiva e direta com todos os públicos, especialmente com os colaboradores. O clima está diretamente relacionado à motivação e se os trabalhadores se sentem inseguros ou tratados de forma displicente, certamente não permanecerão engajados o quanto a empresa necessita”, explica Benedetti.

O ideal, segundo o especialista, é que o diálogo sobre a crise seja iniciado antes da situação ficar crítica. Aos primeiros boatos é preciso estabelecer uma conversa franca. O canal escolhido, seja por meio do departamento de recursos humanos, da diretoria ou da presidência, por exemplo, é uma opção que vai variar de empresa para empresa. O importante é que a estratégia seja corroborada pela alta gestão.

Empresas menos profissionalizadas tendem a ter menos capacidade de comunicação e gerenciamento de crise. “Não faço uma relação direta entre a comunicação e a composição societária. Algumas empresas que se mantém dentro de uma família são altamente profissionais. O que precisa ser analisado aqui é o nível de profissionalização”, pontua o consultor.

De outro lado, a crise pode ser um momento para se destacar talentos. Reter pessoas capazes de trazer soluções e tocar a empresa na sequência da recuperação pode ser fundamental para o futuro de médio e longo prazos da companhia. “As empresas precisam pensar na retenção dos seus talentos e até, em determinados casos, oferecer pacotes que vislumbrem vantagens futuras. Muitas vezes é preciso, também, fazer contratações. Atrair um profissional de excelência para uma empresa em crise não é uma tarefa fácil. É preciso construir um plano que mostre o desafio como oportunidade”, afirma o especialista.

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