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Agronegócio

08/06/2018

Comercialização do café arábica recua no Brasil em período de entressafra e após protestos

Reuters
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Londres e São Paulo - A comercialização de café arábica no Brasil diminuiu consideravelmente, com os estoques atingindo níveis mínimos no pico da entressafra e os comerciantes ainda lidando com os entraves no transporte após os protestos de caminhoneiros em todo o País.

O ritmo reduzido da comercialização diminuiu a já escassa oferta de arábica do maior produtor de café do mundo em outros mercados, também efeito de uma safra passada que foi 20% menor que a anterior.

Enquanto uma safra recorde é esperada para este ano, há lentidão na chegada de café ao mercado em meio a atrasos na colheita. A greve dos caminhoneiros aprofundou as preocupações sobre a disponibilidade de café brasileiro no mercado global, uma vez que reduziu as exportações de café em maio em cerca de 900 mil sacas. “No momento, há apenas negócios limitados”, disse um operador do mercado de café na Europa. “Não estamos vendo os volumes normais negociados.”

O fluxo reduzido no Brasil não evitou a venda persistente de investidores nos futuros do café em Nova York, possivelmente devido ao esperado superávit de oferta projetado para 2018/19. Mas os produtores no Brasil ainda podem fazer lucro devido à forte desvalorização do real frente ao dólar. “Se isso continuar, aumentará os preços (em termos locais) até o ponto em que o agricultor será incentivado a vender mais”, disse Steve Wateridge, sócio-gerente da Tropical Research Services.

Existem vozes discordantes em relação ao nível de estoques no Brasil e ideias de que alguns produtores estariam segurando as vendas mesmo em um momento de fim de safra e às vésperas da entrada de uma grande produção.

No Brasil, onde grande parte da produção de café acontece em grandes propriedades, os produtores muitas vezes têm acesso a instalações de armazenamento e não precisam vender imediatamente no mercado, disse Ricardo Santos, diretor-gerente da Riccoffee.”As grandes propriedades não estão sob pressão alguma --elas têm acesso a alternativas de financiamento”, disse Santos.

Cooxupé – O superintendente comercial da Cooxupé, Lúcio Dias diz que não há reserva. “Basicamente não há café sobrando (da safra antiga). Os agricultores venderam tudo o que tinham”, disse ele. Dias comentou que a Cooxupé atrasou os embarques de 60 mil sacas devido à greve dos caminhoneiros. Ele estima que a cooperativa levará 20 dias para normalizar os despachos.

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