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Política

18/04/2017

Conceito de cidade inteligente vai tornar Belo Horizonte mais atraente

Mara Bianchetti
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Para o prefeito, ações emergenciais são prioridade/Alisson J. Silva
Eleito com o lema "Chega de político" e com 52,9% dos votos válidos da capital mineira, Alexandre Kalil (PHS) completou, na última semana, 100 dias no comando da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Personagem novo do cenário político, Kalil é empresário da construção civil e ficou nacionalmente conhecido como presidente do Clube Atlético Mineiro.

Kalil foi escolhido, dentre outros motivos, por defender a continuidade de programas e projetos que deram certo na antiga gestão da cidade, sem deixar de lado duras críticas ao que considera inadequado. Durante a campanha, por exemplo, prometeu suspender as ações de reintegração de posse da Ocupação Izidora; "abrir a caixa preta" da Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans); e não indicar vereadores a cargos da PBH.

Passados os primeiros meses, sua administração foi aprovada por 63% da população, enquanto 31% dos belo-horizontinos disseram não aprovar o trabalho que vem sendo feito por Kalil, conforme levantamento do Instituto Paraná Pesquisas. Sobre as ações que mais trouxeram benefícios para a população até agora, 20% dos entrevistados responderam na área da “saúde”; 7,3%, na “educação”; e 4,8%,  na "segurança pública".

O prefeito recebeu a reportagem do DIÁRIO DO COMÉRCIO para uma entrevista exclusiva em seu gabinete. No encontro, falou de importantes assuntos que norteiam a economia da Capital, como a possível reativação do aeroporto da Pampulha, o plano de revitalização do hipercentro e a estruturação de um plano econômico para a Capital.

Qual é a sua avaliação dos 100 primeiros dias de mandato?

Foram três meses de aprendizado. Neste período, fizemos o mais simples, o mais fácil, mas sempre pautados pelo bom senso, priorizando ações emergenciais que dizem respeito aos problemas do dia a dia da cidade. Fizemos aquilo que achávamos que deveria ser feito, enquanto cidadãos. Não tenho uma avaliação positiva nem negativa, até porque acho prematuro qualquer julgamento nesse curto espaço de tempo.

A reativação do aeroporto da Pampulha engloba várias polêmicas como infraestrutura, moradia e a concessão do aeroporto de Confins. Qual é a sua opinião em relação a esses pontos?

Precisamos reativar e revitalizar esta importante área da cidade, pois Belo Horizonte não pode deixar de ter seu próprio aeroporto. E não se trata de uma grande retomada, ao ponto de competir com o aeroporto internacional. O aeroporto da Pampulha vai ter uma influência muito tímida naquele terminal, porque a ambição e o trabalho que tem que ser feito no aeroporto de Confins – que, aliás, está em outra cidade – dizem respeito a voos internacionais. Este é o espaço que Confins tem que buscar e não a aviação regional e interestadual. Quanto aos moradores da região, eles construíram a casa no bairro já sabendo que o aeroporto existia. Se estivéssemos construindo um aeroporto no meio de um bairro haveria motivo pra protesto, mas não é o caso.

A BH Airport procurou a prefeitura para contra-argumentar?

Não procurou e nem acho que deva procurar. Esse é um assunto de Belo Horizonte e não de Confins. Interessa apenas à nossa cidade. Por fim, qualquer interferência que for feita vai ter parte insatisfeita. Você pode até tirar o conforto de poucos, desde que vise o bem da maioria e isso é o que estamos fazendo.

No fim do mês passado foi divulgado o plano de revitalização do hipercentro de Belo Horizonte. Quais serão os próximos passos?

Primeiramente, o prazo de 60 dias para remoção dos ambulantes foi ampliado para 90 dias a pedido do Ministério Público (MP). Mas o trabalho já foi iniciado e cerca de 80% desse pessoal já foi cadastrado. A intenção é levá-los para locais organizados pela prefeitura. Este é um problema que precisa ser enfrentado e as secretarias das áreas de segurança, política urbana e ação social já estão atuando.

O senhor acredita que este trabalho vai resgatar a pujança do comércio no hipercentro da cidade?

Sem dúvidas vai revigorar, já que o hipercentro recuperado será visualmente melhor e comercialmente mais interessante e seguro. A intenção é resgatar o valor da região, aumentar o movimento das lojas e organizar os transeuntes, de maneira que se culmine com a revitalização do comércio e o aumento da arrecadação da prefeitura. Podemos conviver com todos esses aspectos concomitantemente, desde que estejam ordenados.

Como está o processo de auditoria na BHTrans? No dia 7 de abril foi finalizado o período de consulta pública. Quando sai o edital?

O edital está sendo finalizado e deve sair nos próximos meses. Vamos iniciar a auditoria juntamente com as entidades, os movimentos sociais e a Câmara Municipal e avaliar o trabalho que vem sendo feito pelas empresas de transporte público.

Essa é uma promessa de campanha...

Mas esta não foi a única promessa que cumprimos. Desde a posse, tiramos os centros de saúde da míngua de remédio; criamos mais 1.296 vagas em escolas infantis; reabrimos uma escola; nomeamos 350 professores e 157 médicos concursados; firmamos parceria para aumento do efetivo da Polícia Militar; e anunciamos um pacote de obras públicas no valor de R$ 1,65 bilhão. Estamos tentando fazer a cidade voltar a ter o vigor que ela perdeu.

Quais serão as próximas promessas que sairão do papel?

Isso é um ato contínuo. Precisamos revitalizar o Centro, o polo moveleiro, o polo de moda e a Lagoa da Pampulha. Precisamos investir cada vez mais na segurança e contratar mais guardas municipais. Precisamos realizar mais chamamentos e universalizar a educação infantil. Isso tem que ser feito de forma coordenada e com tempo. Vamos reabrir o Hospital do Barreiro neste ano ainda. Até o fim de setembro ou outubro vamos estar com o hospital em pleno funcionamento.

Um dos problemas das grandes cidades está na mobilidade urbana. Seu plano de governo traz alguma ação para esta área?

Não. Tudo tem seu tempo e, agora, quando o País passa pela mais profunda crise de sua história, falar em investimentos de U$$ 40 milhões por quilômetro é uma barbaridade. Precisamos adotar medidas paliativas e fazer o que temos feito: melhorar a qualidade e o conforto do transporte público, colocar a trafegabilidade para os táxis, visando desafogar o trânsito nas principais vias e fazer mais alguns estudos de engenharia e fluxo. Isso tudo está sendo estudado e vai ser aplicado no tempo e na hora certos.

E a rodoviária São Gabriel, há alguma previsão?

Ainda não tive tempo de olhar esse projeto. Precisamos avaliar o que vai acontecer, embora a antiga administração tenha gastado quase R$ 50 milhões com desapropriação.

A obra segue nos planos da prefeitura?

Não. Temos outras prioridades.

Considerando o contexto de revitalização do hipercentro e a desativação do terminal da estação José Cândido da Silveira pelo governo do Estado, não preocupa a concentração das viagens na rodoviária do Centro?

Esses são problemas que a cidade precisa conviver. Temos que ter prioridades e foco na gestão. Tudo isso nos preocupa, mas nosso objetivo no momento é melhorar a saúde e a educação e não cuidar da rodoviária.

Como seria a municipalização do anel rodoviário proposta pelo senhor?

Estive com representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e mostrei disposição de transformar o anel rodoviário em avenida metropolitana. Isso seria feito com a nossa engenharia e com uma fiscalização forte e constante, coisas que não existem hoje no anel. A via tem um pedaço privatizado e outro federal. Ninguém sabe o que é de quem e quem é que toma conta. Este caso nem é mais de mobilidade, mas de calamidade e salvamento de vidas. Mas eles não me responderam.

Qual é o programa de governo para estimular a economia da cidade?

Primeiramente é tornar a cidade mais alegre, porque isso traz dinheiro. Quando resgatamos projetos em bairros e festas tradicionais, incentivamos profissionais como cozinheiros, músicos e garçons. E isso nós já começamos a fazer. Agora queremos ir além. Há um projeto de criar na cidade um polo de startup e empresas de tecnologia da informação (TI) e, para isso, vamos entregar aos empresários uma linha de fibra ótica de 600 quilômetros. Isso vai agregar o conceito de cidade inteligente e tornar Belo Horizonte mais atraente.

Como o senhor avalia o rótulo de cidade dormitório?

Isso foi cultivado ao longo dos anos porque Belo Horizonte era uma cidade onde nada era permitido. Estamos mudando isso. Começamos com o Carnaval e vamos incorporar em outras festas, como a festa junina e o Réveillon. Precisamos dar vida para a cidade, que nunca foi dormitório. BH é enorme, terceira capital do País e precisa continuar tentando sobreviver da forma prática, com inteligência, bom senso e trabalho.

A crise afetou a arrecadação do município?

Muito. Para este ano está prevista uma arrecadação ainda menor do que a do ano passado e recebemos um funcionalismo público represado em quase R$ 360 milhões. Agora estamos tentando conversar com os sindicatos para que eles tenham bom senso, de maneira que os devidos aumentos ocorram somente quando tivemos uma melhora do cenário, que é esperada para o segundo semestre.

O que já foi feito para reformular a política da cidade?

Tudo. Não negociamos cargo nenhum, mas estamos atendendo a cada um dos vereadores em tudo que é possível, em todas as demandas, visando sempre o benefício da população.

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