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Agronegócio

09/06/2018

Consumo de etanol bateu recorde no Estado

Em abril, uso do biocombustível alcançou 157,5 milhões de litros, o maior para o mês desde o ano 2000
Michelle Valverde
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Com demanda aquecida, expectativa é de que 60% da cana seja destinada à produção do etanol/Divulgação
O consumo de etanol hidratado, em Minas Gerais, registrou volume recorde em abril, quando comparado com a série histórica para o mesmo mês. No Estado, o uso do biocombustível alcançou 157,5 milhões de litros no quarto mês do ano, um avanço de 87,1% frente a abril de 2017. A demanda pelo biocombustível segue aquecida em função dos altos preços da gasolina. Além disso, os consumidores estão mais atentos ao rendimento dos veículos e optam pelo etanol. Outro fator que tem contribuído para o incremento no uso do combustível renovável é o período de safra, que eleva a oferta e torna o preço mais acessível.

Com a procura em alta, as expectativas para a safra 2018/19, que foi iniciada em abril, são positivas e a tendência é de que haja maior fabricação do biocombustível no período.
De acordo com os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o volume de hidratado consumido no Estado, em abril, foi o maior desde 2000 para o mês, ano em que a série foi iniciada. Até então, o recorde anterior para o mês havia sido em 2015, quando foram comercializados 141,1 milhões de litros. No mesmo período do ano passado, o consumo de etanol ficou em torno de 87,1 milhões de litros.

“A alta no consumo de etanol já era esperada para abril, que é o primeiro mês da safra, quando a oferta do produto aumenta e os preços ficam menores. Este ano, o consumo está diferente, mesmo no período de entressafra a demanda já estava maior”, explicou o presidente-executivo da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos.

O crescimento expressivo será um estímulo para que a produção de etanol continue em alta no Estado. Entre os fatores que impulsionam a fabricação do etanol hidratado está o preço remunerador praticado em 2017, o que incentivou o maior investimento das usinas no biocombustível. No período, várias unidades revisaram o mix de cana-de-açúcar, ampliando o volume destinado ao etanol, uma vez que os preços internacionais do açúcar estavam em baixa.

Para a safra atual, a perspectiva é produzir em torno de 1,87 bilhão de litros de etanol hidratado, o que representará um avanço de 9% frente à safra anterior, quando a produção mineira alcançou 1,7 bilhão de litros.

Com a demanda elevada pelo combustível renovável, neste ano, das 65 milhões de toneladas de cana-de-açúcar a serem esmagadas, 60% será destinada à produção de etanol total, que deve encerrar o período em 3 bilhões de litros.

Retomada - Para o fechamento de maio, a expectativa era alcançar um volume recorde histórico no consumo do combustível, porém, após a paralisação dos caminhoneiros, o que provocou a parada do abastecimento e da produção em 15 usinas mineiras, a meta pode não se concretizar. As usinas que chegaram a suspender a produção já retomaram o ritmo.

“Em função da greve, perdemos muitos dias de consumo e tenho dúvidas se vamos bater o recorde. O etanol hidratado está com preços bem competitivos frente a gasolina e o consumidor vem optando pelo produto. O setor está animado em relação ao desempenho do mercado do etanol, mas desanimado em relação ao açúcar, que vem enfrentando muitos problemas em função dos baixos preços provocados pela oferta mundial elevada”, disse Campos.

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