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Economia

14/10/2017

Consumo de GLP encolhe com reajustes

Escalada de aumentos no preço do gás de cozinha pode provocar o fechamento de revendendores
Ana Amélia Hamdan
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Considerado produto de utilidade pública, o botijão de gás está virando ?artigo de luxo?/Alisson J. Silva
Em vigor desde a última quarta-feira, o terceiro aumento no preço do Gás Liquefeito do Petróleo (GLP), o gás de cozinha, anunciado pela Petrobras num intervalo de apenas 35 dias gerou uma reação negativa das revendedoras do produto. A Associação Brasileira dos Revendedores de GLP (Asmirg-BR) publicou nota considerando “irresponsável” o que considera uma avalanche de elevações no preço do gás de uso residencial.

Segundo o presidente da Asmirg-BR, Alexandre José Borjaili, os associados calculam uma queda de 30% no consumo. Em Minas, a alta média no preço já chega a 7,7%. Ele afirma que o cenário pode levar ao fechamento de revendas e ao aumento da informalidade, elevando o risco para a população.

Ainda de acordo com Borjaili, levando-se em conta o aumento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e o impacto do acordo coletivo dos trabalhadores do setor, pode-se de dizer que as revendedoras tiveram que arcar com cinco altas (incluindo as estipuladas pela Petrobras) em cerca de 30 dias. “O botijão de gás está na categoria de utilidade pública, mas está virando artigo de luxo”, alerta o dirigente.

Borjaili informa ainda que, há cerca de um mês, em Minas, o botijão de gás de 13 kg estava sendo vendido, em média, por R$ 65, sendo que agora pulou para R$ 70, o que representa aumento de aproximadamente 7,7%. No Estado há entre 8 mil e 9 mil revendedoras que geram cerca de 50 mil empregos diretos. Minas é o segundo maior mercado do País, respondendo pela venda de 3,4 milhões de botijões de gás de 13 litros ao mês, o que corresponde a 10% do total comercializado no País.

Os reajustes seguidos ocorreram após a Petrobras alterar a política de preços para a comercialização às distribuidoras do GLP residencial vendido em botijões de até 13 kg, a partir de 7 de junho. Com a mudança, o preço passou a ser formado pela média mensal das cotações do butano e profano no mercado europeu, acrescida de 5%. Desde então o produto acumula alta de 47,6%.

De junho até agora foram seis ajustes de preço, sendo cinco deles para cima. Em junho, o aumento médio nas refinarias foi de 6,7%. Em julho, houve redução de 4,5%. Em agosto, houve aumento de 6,9%. Em setembro foram dois reajustes: no dia 5, de 12,2%; e no dia 25, de 6,9%. Neste mês, desde quarta-feira está em vigor o reajuste de 12,9%.

Este último aumento foi justificado principalmente pela variação das cotações do produto no mercado internacional. No caso de ser integralmente repassado ao consumidor, só o reajuste de 12,9% praticado às distribuidoras pode levar ao aumento médio de 5,1% ,ou cerca de R$ 3,09 no botijão.

A Petrobras informa que o reajuste nas refinarias não precisa ser repassado aos consumidores, já que a lei garante liberdade de preços no mercado de combustíveis e derivados. O repasse depende das distribuidoras e revendedoras. Segundo a estatal, na composição de preços ao consumidor, a Petrobras responde por 25% no valor final, outros 20% são tributos e 55% são compostos por distribuição e revenda.

De acordo com Borjaili, a Asmirg-BR já encaminhou alerta para órgãos públicos cobrando uma solução. “Temos que verificar se não está ocorrendo abusividade dos aumentos. Já tem distribuidora demitindo. Outras estão buscando formas alternativas de negócios”, ressalta.

Ele afirma que o setor apoiou a mudança da política de preços da Petrobras, mas acredita que a norma deve vir acompanhada de um mecanismo que garanta um preço que atenda em especial à classe com menor poder aquisitivo.

Leia também:
Petrobras eleva valor da gasolina em 0,8%


Restaurantes - O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG), Ricardo Rodrigues, ressalta que o setor, que já vinha sofrendo com os efeitos da crise econômica, está sendo prejudicado novamente com o aumento do preço do gás. “Não entendemos esse aumento de 12,9%, muito acima da inflação do ano”, diz.

Ele informou que, em alguns segmentos, o GLP representa 8% do total de gastos no negócio, mas os comerciantes não terão como repassar os custos aos clientes, já que o mercado não está aceitando reajustes. Segundo Rodrigues, as margens de lucros já estão baixas. Segundo a Abrasel, 30% dos associados fecharam as portas devido à crise.

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