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Finanças

12/01/2017

Copom reduz Selic em 0,75 pp, para 13%

Com a decisão, que surpreendeu analistas financeiros, a taxa ficou no menor nível desde abril de 2015
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Entre as justificativas para o corte, o Copom destacou a taxa da inflação, que fechou 2016 abaixo do previsto: 6,29%/
Brasília - Pela terceira vez seguida, o Banco Central (BC) baixou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu nessa quarta-feira (11) a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, para 13% ao ano. A decisão surpreendeu os analistas financeiros, que previam o corte de 0,5 ponto percentual.

Com a decisão, a Selic está no menor nível desde abril de 2015, quando estava em 12,75% ao ano. Mantida em 7,25% ao ano, no menor nível da história, de outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Somente em outubro do ano passado, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia.

Em comunicado, o Copom informou que a demora na recuperação da economia contribuiu para a autoridade monetária acelerar o corte dos juros. “O conjunto dos indicadores sugere atividade econômica aquém do esperado. A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente”, destacou o texto.

O Copom ressaltou que as incertezas externas ainda não trouxeram efeitos sobre o Brasil e que o comportamento da inflação, que fechou 2016 abaixo das expectativas (6,29%), favoreceu a redução maior da Selic.

“A inflação recente continuou mais favorável que o esperado. Há evidências de que o processo de desinflação mais difundida tenha atingido também componentes mais sensíveis à política monetária e ao ciclo econômico. A inflação acumulada no ano passado alcançou 6,3%, bem abaixo do esperado há poucos meses e dentro do intervalo de tolerância da meta para a inflação estabelecido para 2016”, acrescentou o Banco Central.

A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores impulsionam a produção e o consumo num cenário de baixa atividade econômica. Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de apenas 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2016. No último Relatório de Inflação, o BC reduziu a estimativa de expansão da economia para 0,8% este ano.

Ritmo será mantido - O Copom sinalizou em comunicado que deve manter o ritmo forte de corte de juros nos próximos meses devido à inflação mais baixa e à atividade econômica fraca.

“Diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização”, afirmou a autoridade monetária.

O BC esclareceu ainda que projeta uma inflação abaixo de 4,5%, que é o centro da meta, para 2017. “As projeções no cenário de referência encontram-se em torno de 4,0% e 3,4% para 2017 e 2018, respectivamente. Já no cenário de mercado, situam-se em torno de 4,4% e 4,5% para 2017 e 2018, respectivamente”, disse o BC no comunicado.

Repercussão – Entidades da indústria e comércio de Minas Gerais aprovaram o corte da Selic para 13% ao ano. Para o presidente da Fiemg, Olavo Machado Junior, “o caminho é correto. Mas é preciso persistir nos cortes. As empresas e os 12 milhões de desempregados brasileiros – número recorde em nossa história – esperam por isso”.

Na avaliação do dirigente, “a demora em iniciar o afrouxamento monetário contribuiu substancialmente para a deterioração nas condições econômicas ao longo do ano passado. Agora, é hora de olhar para frente, esperando que a política econômica não se torne mais um entrave à expansão da atividade produtiva em 2017”.

O presidente da FCDL-MG, Frank Sinatra, mostra otimismo, mas indica a necessidade de novas ações. “Estamos vivenciando a ascensão de movimentos que devem trazer desdobramentos extremamente interessantes. Contudo, os efeitos esperados pela redução da taxa de juros básica da economia serão sentidos nos próximos 6 meses.

Precisamos de ações que mudem o agora. O mercado não permite estagnação”, ressalta
Para o presidente da CDL-BH, Bruno Falci, a redução da taxa “ainda não é o ideal, mas já é um respiro que estamos tendo com a terceira queda consecutiva. A medida é uma força para alavancar e incentivar os investimentos produtivos responsáveis pela geração de emprego e renda. Juntamente com outros índices econômicos, são os juros elevados que impedem o Brasil de sair da recessão econômica”.

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