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DC RH

10/11/2016

Cortes afetam funcionários remanescentes

Trabalhadores sofrem com o acúmulo de tarefas e insegurança por conta do enxugamento da folha
Da Redação
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Crise econômica resulta na eliminação de postos de trabalho e empregados remanescentes sofrem com a sobrecarga/Pedro Ventura/ABr
Processos de enxugamento nas empresas sempre carregam cargas dramáticas para os funcionários demitidos e para a empresa, que, além de enfrentar um período econômico desfavorável, precisa também reestruturar a gestão para redefinir as responsabilidades entre os que permaneceram. Ana Pliopas, coach executiva e sócia do Hudson Institute of Coaching no Brasil, lembra a importância de olhar também para os profissionais que ficam, sobre os quais pesa outro desafio – a chamada síndrome dos remanescentes.

Não há cenário favorável durante cortes nas empresas. “Para os que saem, as consequências incluem um sentimento de perda e incerteza sobre o futuro muito forte.

Os que ficam, por outro lado, enfrentam uma situação bastante ambígua: de um lado sentem alívio por não estarem na black list da empresa, e de outro ficam culpados por terem permanecido”, explica Ana. Com o acúmulo de tarefas, o profissional remanescente fica sobrecarregado e se vê acompanhado pela angústia de não saber se e quando pode haver uma nova onda de demissões. Esse sentimento dúbio descreve a síndrome dos remanescentes.

Segundo Ana, pode existir um lado positivo. “Se a carga de trabalho aumenta, o profissional pode então analisar onde há espaço para se desenvolver e como inovar nesse novo cenário, além de questionar de modo construtivo – até mesmo ao gestor – quais são os novos critérios de prioridade com o acúmulo das tarefas”, afirma. Em sua experiência como coach, Ana percebe que profissionais com enormes cargas de trabalho ficam saturados a ponto de não pararem para refletir sobre seu momento profissional. “Percebo que uma das maneiras de coaching dar resultado é o fato de o profissional ter uma hora do dia dedicada à reflexão”, comenta.

Responsabilidade - Lidar com profissionais sobrecarregados representa um problema urgente para as organizações. De acordo com a última pesquisa “Carreira dos Sonhos”, realizada pela Cia de Talentos, 65% das empresas consideram urgente ou importante lidar com o colaborador sobrecarregado, e 44% disseram não estar preparadas para enfrentar o problema. Em períodos de muitas demissões, as empresas precisam ter uma boa estratégia para não desequilibrar a produtividade e o conforto de seus colaboradores.

Há mensagens importantes às organizações no que diz respeito à maneira de se comunicar com os funcionários – tanto aqueles que serão vítimas do downsizing quanto os remanescentes. “As empresas precisam tomar um enorme cuidado com a maneira com que tratam as pessoas, por respeito ao profissional demitido e que precisará se reestabelecer, e também para garantir estabilidade à empresa. Quem continua repara em como as mensagens são dadas”, explica Ana.

Nesse processo, uma comunicação interna clara e transparente, com o mais baixo nível de ruído possível, pode evitar que o clima organizacional seja afetado em demasia. Explicar a quem fica os motivos que levaram às demissões e falar sobre o cenário enfrentado pela empresa são alguns dos caminhos. “As empresas têm a ilusão de que precisam ter todas as informações para passar a mensagem aos funcionários, quando na verdade, mesmo sem ter todas as respostas, a organização deve ter um plano de comunicação que transmita, por exemplo, a estratégia que a empresa empregará para se recuperar, e em que prazo espera obter tais resultados. Falar sobre isso com os funcionários diminui rumores. Trata-se do over-communicating, essencial em períodos de crise”, explica Ana.

Outro desafio consiste em lidar com o trabalho acumulado. Para manter as equipes motivadas, só mesmo com um gestor transparente, que dialogue e que saiba como remanejar o trabalho que ficou. “Existem questões imediatas que precisam ser pensadas pelas empresas, sendo uma das principais a redistribuição do trabalho, o que em geral não se faz de modo cuidadoso”, completa Ana.

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