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Negócios

18/03/2017

Crise afeta negócios na Feira Hippie de BH

Vendas no local caíram cerca de 60% no 1º bimestre, se comparado a igual intervalo de 2015 e 2016
Mírian Pinheiro
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O movimento na Feira Hippie encolheu com a ausência dos sacoleiros/Divino Advincola/Portal PBH
O ano mal começou e os expositores da Feira de Artes, Artesanato e Produtores de Variedades de Belo Horizonte, a tradicional Feira Hippie, que funciona aos domingos, na avenida Afonso Pena, no centro da Capital, já temem pelo futuro de seus negócios. Influenciadas pela recessão econômica e a alta do desemprego, as vendas no local caíram cerca de 60% no primeiro bimestre, se comparado a igual intervalo dos dois últimos anos.

Dos segmentos encontrados na Feira Hippie, entre eles cintos, bijuterias, sapatos, bolsas, vestuário, artigos para decoração, móveis e produtos infantis, todos registraram entre 40% e 80% de queda nas vendas no primeiro bimestre, se comparado a igual intervalo de 2016 e 2015, de acordo com os feirantes. A retração do comércio não só reflete como confirma o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que diz que as vendas do comércio varejista do País em 2016 fecharam com queda de 2,1%.

Segundo a artista plástica Leni Dugulin, expositora de quadros há 27 anos no local, a queda no movimento não é fenômeno recente. A expositora sente que vem acontecendo desde 2014, tendo se acentuado no final do ano passado. Os ônibus que traziam os chamados ‘sacoleiros’, que compravam produtos para revender em outras cidades e estados, aponta a feirante, desapareceram e o número de visitantes da Capital e turistas também não para de cair. “Chegamos a receber 500 ônibus lotados, hoje, se um aparece, batemos palmas”, lamenta. No seu caso, as vendas caíram 60% no primeiro bimestre, se comparado a igual intervalo dos dois últimos anos.

Dos R$ 4 mil que já chegou a faturar em um único domingo, Leni Dugulin contabiliza agora R$ 300 no dia – “e ‘olhe lá”. No setor em que atua, muitos já desistiram. “Éramos uns 300 artistas, hoje não somos nem 90”, revela, ao criticar a atuação das associações pouco representativas criadas pelos feirantes e também a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). “Eles só fazem cobrar”, desabafa.

A artista afirma que paga, anualmente, aos cofres municipais quase R$ 2 mil em tributos - dívida que não para de crescer. Com uma receita abaixo da esperada nos dois últimos anos, Leni não tem dado conta de honrar os compromissos. Como outros feirantes, todo ano se vê obrigada a recorrer ao parcelamento da dívida junto à prefeitura, sem nunca conseguir quitá-la. “Vou juntando uma prestação com a outra e vira um horror”, revela.

Mas somente assim ela e outros inúmeros feirantes conseguem o recadastramento anual para continuar trabalhando no local. A exigência da atualização dos dados para renovação da licença está prevista no Código de Posturas do Município.

De acordo com a gerente regional de Feiras Permanentes (Gerpefe) da Regional Centro-Sul da PBH, Andrea Lúcia Bernardes Fernandes, a queda do movimento é real, mas ela não saberia dizer exatamente o percentual de impacto dela. Ela também afirma que existem várias associações na Feira Hippie, como a Associação dos Expositores da Feira de Artesanato e Variedades da Avenida Afonso Pena (Assfeira), mas nenhuma delas é responsável por sua gestão, que é exclusivamente da PBH. Pelos registros atuais da prefeitura, divulgados pela gerente, cerca de 70 mil pessoas frequentam a feira aos domingos e o número de feirantes ela afirma ser de 2.041, distribuídos em 16 setores. Em 2011, a PBH informava que a feira registrava 17 setores, 3 mil expositores e cerca de 100 mil visitantes.

Saídas - O cenário de dificuldades econômicas vem exigindo dos feirantes malabarismo para fechar o mês. Como no caso do peruano Eduardo Augusto. Cansado de arcar com prejuízos recorrentes, o feirante já pensa em fechar a barraca de cintos de couro. “Estou aqui há três anos, mas minhas vendas caíram mais de 40% no primeiro bimestre, se comparado a igual intervalo dos dois últimos anos”, revela.

Eduardo Faria, da Galleth Calçados, especializado em calçados femininos, faz coro ao colega peruano. Há mais de 20 anos na feira, apesar de preocupado, ele ainda tem esperança de que o segundo semestre seja melhor. Faria confia na recuperação da economia e na volta da clientela. Também espera uma ação mais efetiva da PBH para incentivar o movimento, dando mais ênfase na divulgação e na melhora da infraestrutura. Para ele, não basta mais esperar pelas melhores datas de venda (Dia das Mães e Natal), quando chegava a fechar o dia com R$ 4 mil no bolso. As vendas nesses períodos, ele diz, também caíram, em razão de os consumidores optaram por produtos ainda mais baratos que os preços praticados na feira.

Edmilson Luciano de Oliveira, da Palloma Biju, chega às duas da manhã na avenida Afonso Pena para montar sua barraca de bijuterias. Esforçado e dedicado, trabalha há 15 anos lá e se orgulha disso. Diz que, em 2013, chegou a vender R$ 15 mil em um domingo de feira, hoje as vendas caíram para R$ 8 mil em dias bons. Que as coisas não estão boas ele até concorda, mas também acha que 80% dos feirantes reclamam sem “fazer por onde”. Na sua visão, é preciso investir em divulgação, novidades e qualidade de atendimento. Como estratégia de venda, Oliveira utiliza as redes sociais para exibir os trabalhos e procura sempre manter contato com a clientela fora da feira. Mas acredita que o crescimento só virá com a transformação do lugar em um centro de compras, como a “Rua 25 de março, em São Paulo”. Para ele, isso sim traria benefícios. “Estamos sem um gerente de feira e a PBH insiste na ideia de não expandi-la com variedades no lugar de só artesanato”, sugere.

LINHA DO TEMPO

A Feira de Artes, Artesanato e Produtores de Variedades de Belo Horizonte, a tradicional Feira Hippie, surgiu em 1969, quando alguns artistas e estudantes ligados às artes plásticas tiveram a ideia de expor seus trabalhos artísticos experimentalmente na Praça da Liberdade, na região Centro-Sul da Capital.

De início houve certa dificuldade, por parte da prefeitura, em permitir a exposição de trabalhos artísticos livremente, pois estava em pleno vigor o AI-5, que proibia qualquer manifestação pública. Existia ainda a ideia de que as autoridades municipais tinham preferência pela arte acadêmica e temiam que a praça viesse a ser ocupada pelos modernistas, porém, estes fatos não impediram a realização da feira como um evento esporádico. Mas ao visitar a Feira Hippie em 1971, o então governador de Minas Gerais Israel Pinheiro quis que a praça voltasse a ser frequentada pelo povo e apoiou a realização da feira como um evento permanente, deixando surpresos os funcionários da prefeitura, que não queriam o aglomerado de “hippies” naquele nobre local. Somente a partir desta visita é que a feira passou a ter uma periodicidade fixa.

Logo, a Feira Hippie foi se tornando um ponto de encontro de moradores e turistas. Com o grande número de visitantes, o que tornava a praça pequena para a realização da feira e levando em conta o risco de degradação ambiental, foi transferida, em 1991, para a avenida Afonso Pena entre as ruas da Bahia e dos Guajajaras, no centro de Belo Horizonte. Desde então, funciona aos domingos, de 7 horas às 14 horas. (Fonte: Belotur)


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