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24/11/2017

CTVacinas tem arma contra leishmaniose visceral

Thaíne Belissa
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Belo Horizonte vive momento de alerta em relação à leishmaniose tipo visceral: o número de casos cresceu em 2017 e já são 31 registros de pessoas infectadas até agosto deste ano, sendo que quatro pessoas morreram em decorrência da doença. Curioso é que a mesma cidade que teme a leishmaniose abriga um Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BHTec), que vem desenvolvendo uma série de inovações que ajudam a combater a doença. Com talento e inovação concentrados no mesmo lugar, o centro poderia contribuir ainda mais na luta conta a leishmaniose na Capital, mas faltam investimentos e interesse da indústria.

Criado em 2005, o CTVacinas é resultado da iniciativa de pesquisadores que se dedicavam a estudar doenças negligenciadas na época, como dengue, leptospirose, chagas, malária e leishmaniose. Hoje, o centro atua na produção de vacinas e diagnósticos de doenças como essas. Um dos produtos mais importantes já desenvolvidos pelo CTVacinas é a vacina veterinária para leishmaniose que, hoje, é um dos que mais gera royalties para a UFMG. O centro tem mais de 20 patentes depositadas e também uma spin-off, a Detechta, empresa que recebe investimentos da Fundepar.

A professora e pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do CTVacinas, Ana Paula Fernandes, destaca que o centro já tem uma atuação relevante no combate à leishmaniose na cidade. A vacina para cães, desenvolvida pelos pesquisadores da UFMG, é um poderoso recurso preventivo, já que os cães funcionam como reservatórios do parasita da doença.

De acordo com a pesquisadora, considerando o número de casos da doença e o número de óbitos causados por ela, a leishmaniose mata mais que a dengue. O Brasil tem, em média, 4 mil casos de leishmaniose em humanos por ano e uma taxa de mortalidade que gira em torno de 10%. A dengue, por sua vez, embora tenha mais casos, tem uma taxa de mortalidade menor: 3%. Os dados são da Gerência de Controle de Zoonoses da Prefeitura de Belo Horizonte.

Ana Paula Fernandes afirma que, além da vacina canina, o centro também vem desenvolvendo uma alternativa ao atual tratamento da doença em humanos. A medicação existente hoje ainda é muito tóxica e traz efeitos colaterais, de forma que ela nem pode ser utilizada por pessoas que têm diabetes, nem por cardíacos e gestantes. Além disso, trata-se de um tratamento prolongado que inclui um grande número de injeções e que nem sempre são eficazes. Os pesquisadores da UFMG desenvolveram uma fórmula que pode simplificar o tratamento da doença em sua forma cutânea.

“O medicamento, que é de uso tópico, pode ser usado sozinho ou associado a outras medicações, trazendo mais comodidade para o paciente com um método menos tóxico e mais curto”, explica a pesquisadora. Nesse momento, a fórmula passa por testes clínicos na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo a professora, o CTVacinas ainda pesquisa uma série de soluções para o combate da leishmaniose. Entre os objetivos do centro está o aperfeiçoamento da vacina canina e o desenvolvimento de kits mais sensíveis para o diagnóstico mais rápido da doença tanto em cães quanto em seres humanos.

A vacina contra a leishmaniose para humanos também é um objetivo dos pesquisidores do centro, mas de acordo com Ana Paula Fernandes esse é um projeto que ainda não pode sair do papel por falta de investimento. Segundo ela, o centro conta com parcerias de alguns órgãos de fomento à pesquisa, assim como do setor público e privado, mas os recursos ainda são insuficientes. “Vivemos um momento crítico em relação ao investimento em pesquisa no Brasil. Precisamos de muitos recursos que não recebemos e eles são para todos os momentos do processo, desde o início na ciência básica, passando pela ciência aplicada até o momento do desenvolvimento de produtos”, diz.

A pesquisadora destaca que a indústria no Estado e no Brasil também se envolve pouco nesse processo de pesquisa para desenvolvimento de inovação. “As empresas ainda não têm essa cultura: em vez de investirem em patentes, elas preferem não correr riscos e trazer algo pronto de fora”, alerta. De acordo com ela, o desenvolvimento da vacina humana exigiria um grande investimento, em torno de R$ 5 milhões a R$ 6 milhões. Entretanto, ela lembra que se trata de um tema de saúde pública e, por isso, era necessário maior envolvimento dos diferentes atores da sociedade.

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