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Agronegócio

23/01/2016

Cultivo de seringueira não avança em Minas

Investimentos na atividade foram suspensos e o plantio de árvores caiu cerca de 90% no Estado
Michelle Valverde
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A dificuldade de acessar linhas de financiamento tem impedido o plantio de seringueiras em larga escala em Minas/Divulgação
Os três últimos anos de clima desfavorável para a heveicultura interferiram severamente no avanço da produção estadual. A escassez hídrica, aliada ao momento desfavorável da economia e a cautela em relação aos rumos econômicos do País, fez com que os investimentos fossem suspensos e o plantio das seringueiras caiu cerca de 90% em Minas Gerais. A falta de políticas públicas específicas, de assistência técnica para o setor e a dificuldade de acessar as linhas de financiamento são fatores que também impedem o avanço da atividade.
 
De acordo com o pesquisador em seringueiras da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Antônio de Pádua Alvarenga, a atividade tem futuro promissor, porém, a falta de incentivos e de divulgação impede a expansão significativa. “A heveicultura é altamente rentável e pode ser desenvolvida no sistema de agricultura familiar e consorciada a outras atividades, porém, faltam incentivos governamentais. Além de políticas específicas para a atividade, também é necessário investir na divulgação, ação que atualmente não existe e impede que novos produtores conheçam os benefícios e ingressem na atividade. Nos últimos anos tivemos um avanço significativo do plantio, mas, infelizmente, em 2015, os investimentos foram reduzidos em quase 90%”, diz.
 
Outro gargalo enfrentado é a dificuldade de levar os resultados das pesquisas desenvolvidas em diversas entidades para o campo. “A Epamig tem as pesquisas, mas, as mesmas não chegam ao campo. Tentamos fazer a nossa parte, participando de eventos e oferecendo palestras e cursos, mas não é o suficiente. O produtor que investe precisa de auxílio”, observa.
 
Borracha - Ainda segundo o pesquisador, a área plantada com seringueiras em Minas Gerais gira em torno de 9 mil a 10 mil hectares, sendo que apenas 6 mil hectares estão em fase produtiva. A produtividade por árvore pode alcançar de 10 a 12 quilos de borracha ao ano, em condições ótimas. A média mineira gira em torno de 8 quilos por árvore ao ano. Caso o manejo seja o correto, as seringueiras podem produzir por cerca de 60 anos. A árvore começa a produzir com idade média de sete anos.
 
No ano passado, a extração do látex ficou comprometida pela estiagem mais severa que a registrada nos dois anos anteriores, o que também desestimulou muito produtores a manterem os investimentos.
 
A planta se desenvolve bem em várias regiões, por isso, o cultivo pode ser feito em todo o Estado. As regiões que concentram as florestas são o Triângulo Mineiro, Zona da Mata e a região Leste de Minas Gerais. Também existem cultivos, mas menos expressivos, no Sul e Norte de Minas.
 
Os preços pagos pelo quilo do látex são considerados lucrativos, hoje os valores estão próximos a R$ 2,50 o quilo, mas dependendo da época podem atingir R$ 4 o quilo. O preço mínimo estipulado pelo governo é de R$ 2 o quilo, valor que cobre os custos de produção e gera lucro.
 
Alvarenga destaca que o mercado é promissor para o produto, uma vez que o Brasil é altamente dependente das importações de borracha, que representam cerca de 70% do consumo. “Com o látex é possível fabricar mais de 50 mil produtos e somos dependentes da importação. Minas têm potencial enorme para desenvolver a atividade. A demanda pelo produto é tão grande, que a própria indústria busca a produção nas fazendas”, ressalta.

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