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Internacional

06/10/2017

Decreto deve facilitar saída de empresas da Catalunha

Medida abalaria finanças regionais
Reuters
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Parlamento da Catalunha estaria planejando declarar a independência da região na segunda-feira, depois de referendo/Reuters/Yves Berman
Madri - O governo espanhol anunciou que emitirá hoje um decreto tornando mais fácil para as empresas transferirem suas sedes jurídicas da Catalunha, revelaram duas fontes, em uma medida que poderia causar um sério golpe às finanças da região, que considera declarar independência da Espanha.

O decreto é feito sob medida para o banco espanhol Caixabank, disseram fontes familiares com o assunto, uma vez que permitiria que o banco transferisse sua sede jurídica e tributária para outro local sem ter que realizar uma assembleia de acionistas, conforme estabelecido no estatuto.

“O governo está trabalhando na mudança da lei para que não seja mais necessário ter uma assembleia de acionistas, o que atrasaria a mudança da sede jurídica em caso de emergência”, apontou uma das fontes.

O governo e o Caixabank se recusaram a comentar.

A diretoria do Caixabank se reunirá hoje para estudar uma possível transferência de sua sede legal para longe da Catalunha, devido à incerteza política na região, divulgou uma fonte familiar com a situação.

O Caixabank é a maior empresa de Catalunha por valor de mercado e representa cerca de 50% do setor bancário da região.

O catalão Sabadell, quinto maior banco da Espanha, também decidiu transferir sua sede da Catalunha para Alicante, na costa leste da Espanha.

O parlamento da Catalunha estava planejando declarar a independência da região na segunda-feira, depois de um referendo proibido marcado por violência no fim de semana passado. Esse plano foi posto em dúvida na quinta-feira, após o Tribunal Constitucional espanhol ordenar que a sessão de segunda-feira do parlamento catalão seja suspensa.
A crise política “gerou incertezas que estão paralisando todos os projetos de investimento na Catalunha”, frisou o ministro espanhol da Economia, Luis de Guindos, à Reuters na quinta-feira.

“Estou convencido de que, neste momento, nenhum investidor internacional ou nacional vai participar de um projeto de investimento novo até que isso seja esclarecido”, avaliou ele.

Ações - As ações de Sabadell e Caixabank caíram nesta semana. Mas as informações de que os bancos podem deixar a Catalunha levaram a um salto das ações nesta sessão, com o Sabadell subindo 6% e o Caixabank avançando 5%.

O parlamento da Catalunha estava planejando declarar a independência na próxima segunda-feira, depois de um referendo proibido marcado pela violência que aconteceu no último fim de semana.

O plano do governo espanhol de vender uma participação no banco estatal Bankia também foi adiado por causa da incerteza, disse de Guindos. Madri voltará a olhar para essa questão, uma vez que a situação catalã tenha sido resolvida, afirmou ele.

No entanto, a declaração unilateral planejada de independência da Catalunha não teve qualquer impacto na produção econômica geral da Espanha, falou Guindos, reiterando que espera crescimento de mais de 3% neste ano.

Os mercados financeiros foram abalados nesta semana pelos temores de que a secessão prejudicará a quarta maior economia da zona do euro, causando um duro golpe às finanças da Espanha e colocando a economia catalã em parafuso.

A Catalunha é um centro industrial e de turismo que reponde por um quinto da economia espanhola, sendo base de produção para grandes multinacionais como Volkswagen e Nestlé, além de abrigar porto marítimo de mais rápido crescimento da Europa.

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