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DMEP - Cegueira das Organizações

09/01/2018

Desvendando o BSC - Parte 1: gerar valor ou estruturar competências?

Marcelo Alvim Scianni*
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O método BSC ou Balanced Scorecard é bastante difundido e utilizado pelas empresas para conduzir seu planejamento estratégico. Mas nossa experiência junto a diferentes parceiros nos mostra que o método deve ser desvendado para ser melhor aplicado. No primeiro ensaio dessa série vamos tratar dos objetivos estratégicos desdobrados com o auxílio do BSC: gerar valor ou estruturar competências?

Já tratamos em nossos ensaios da classificação de iniciativas em geradoras de valor e estruturadoras de competências. Da mesma forma, os objetivos estratégicos de uma organização podem e, em nossa opinião, devem ser desdobrados conforme essa lógica.

Utilizando a analogia de duas retas paralelas que se encontram no infinito, a geração de valor propicia a médio e longo prazo a estruturação de competências e essa estruturação, por sua vez, propicia a geração de valor também a médio e longo prazo. A estratégia passa então necessariamente por estes dois caminhos que refletem o momento vivido pela organização: construção inicial, consolidação e amadurecimento, ou mudança e reconstrução. Além disso, o próprio ambiente competitivo e econômico direciona a organização a priorizar a geração de valor ou a estruturação de competências.

Há nesse sentido uma exigência por balancear o esforço estratégico nessas duas direções, deixando claro tanto para o time interno e os stakeholders chave, quanto para o mercado externo qual será o foco da empresa em um determinado período. Essa clareza permite à empresa evitar o desperdício de energia em uma direção que vai contrária ao balanceamento proposto. A figura apresenta a forma proposta para analisarmos o BSC, sendo que neste ensaio trataremos apenas das tabelas indicadas com os números 1 e 2.

Analisando mais especificamente o BSC, observa-se que ele propõe o desdobramento da estratégia de uma organização em quatro grandes perspectivas de objetivos estratégicos: financeira; clientes; processos internos; aprendizado e crescimento. Se analisarmos atentamente, as duas primeiras perspectivas tratam da geração de valor. Como medidas genéricas dessas duas perspectivas apresentam-se: retorno sobre investimento, valor econômico agregado ao negócio, share de mercado, satisfação ou retenção de clientes, dentre outras. Já a estruturação de competências é tratada nas duas perspectivas finais, que podem apresentar as seguintes medidas genéricas: qualidade e eficiência de processos críticos, satisfação de funcionários, retenção de talentos e evolução ou atração de competências chave.

Independentemente do momento, essas quatro perspectivas e as dimensões de geração de valor e estruturação de competências deverão ser trabalhadas. A questão será o peso dado a cada uma dessas dimensões. Momentos cuja geração de valor se faz prioritária direcionam para objetivos sob a perspectiva financeira e de cliente com maior detalhamento na estruturação de indicadores bem como metas mais ousadas. Já as perspectivas de processos internos e de competências serão mais bem desdobradas direcionando metas desafiadoras em momentos aonde se faz necessária a estruturação de competências. Qual momento se apresenta para seu negócio? Reflita antes de aplicar o BSC ou qualquer outro método.

*Sócio-diretor da DMEP

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