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Economia

21/03/2017

Disputa judicial sem solução afeta Usiminas

Sócia majoritária da empresa e prefeitos de cidades vizinhas a Ipatinga reclamam de prejuízos com processo
Mara Bianchetti
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Usina da Usiminas em Ipatinga gera riquezas para todo o Vale do Aço/Marcelo Coelho/Divulgação
Cinco meses após a Justiça mineira ter anulado a eleição de Sergio Leite, que havia sido escolhido para presidir a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), em maio do ano passado, pelo Conselho de Administração da companhia, pouca coisa avançou no processo. Desde outubro, quando a desembargadora Mariza Porto, da 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), determinou a volta de Rômel de Souza, a sócia majoritária Ternium/Techint tenta recorrer, porém, sem sucesso.

É que a desembargadora se aposentou em seguida à decisão e, embora o grupo italiano tenha acionado a Justiça mineira imediatamente, não obteve retorno aos questionamentos acerca da decisão. “Isso provocou a judicialização da Usiminas, o que não ajuda em nada a companhia e prejudica seu desenvolvimento”, resumiu o presidente da Ternium no Brasil, Paolo Bassetti, com exclusividade ao DIÁRIO DO COMÉRCIO.

O TJMG, por sua vez, explicou que os embargos estão conclusos para despacho e o julgamento pode ocorrer a qualquer momento. Por meio da assessoria de imprensa, o TJ alegou que a desembargadora Mônica Libânio assumiu o caso no fim de 2016 e o acesso aos processos e recursos foi concluído só em 20 de fevereiro, por sua complexidade.

A destituição de Sergio Leite da presidência significou uma reviravolta na disputa entre os acionistas majoritários da Usiminas – Nippon Steel e Ternium –, em que o TJMG acatou o pedido dos japoneses de anular a reunião do Conselho de Administração da siderúrgica. Na ocasião, o então presidente, Rômel de Souza, indicado pelo grupo japonês, foi substituído por Leite, que teve a maior parte dos votos dos conselheiros.

Da mesma maneira como os sócios italianos estimam perdas irreparáveis para a companhia a cada dia de atraso na decisão da Justiça, lideranças empresariais e políticas do Vale do Aço também já começaram a se mobilizar em prol da resolução do imbróglio na presidência de uma das principais empresas de Minas Gerais.

Nesse sentido, prefeitos das cidades vizinhas a Ipatinga, onde está localizada uma das plantas industriais da companhia, com apoio dos deputados estaduais e federais majoritários, e representantes de diversas áreas de atuação no entorno do município, elaboraram uma carta aberta ao TJMG, pedindo celeridade ao processo.

Consta no documento: “esse imbróglio, iniciado em 2014, aliado à forte crise da indústria e à retração da economia nacional, interrompeu importantes projetos e investimentos previstos para a expansão dos negócios da siderúrgica. Ressalta-se que, neste período, o fluxo de caixa livre ‘não-positivo’ da empresa tem tido reflexos sociais negativos diretos e indiretos na vida dos moradores dos 86 municípios do Vale do Aço e Leste mineiro, atingindo mais de 1,5 milhão de habitantes”.

Os que assinam a carta reiteraram ainda que a conclusão do processo “será fundamental para corroborar com a imediata retomada dos investimentos previstos para a usina Ipatinga, fortalecendo assim a economia local, regional e nacional, sendo esta a motivação-mor deste pleito coletivo”.

Reunião - Nova reunião do Conselho de Administração da Usiminas está marcada para quinta-feira (23), quando fontes de informação próximas à companhia garantem que o assunto deverá voltar à tona, uma vez que os conselheiros seguem insatisfeitos com a presidência interina de Rômel de Souza.

Vale lembrar que, em maio de 2016, assim como em quase todos os últimos acontecimentos da siderúrgica, a decisão também foi um impasse entre os controladores. O nome do executivo eleito tinha o apoio do grupo italiano, enquanto a japonesa Nippon Steel pleiteava a permanência de Souza.

Na ocasião, dos 11 membros, seis aprovaram a nomeação de Leite, enquanto três rejeitaram e dois se abstiveram. Além das controladoras Nippon e Techint, representantes de empregados da Usiminas, pensionistas e acionistas minoritários, incluindo a concorrente Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), integram o Conselho.

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