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06/07/2018

Diversidade: caminho ainda é longo

Levantamento mostra que empresas não mantêm programas para melhorar o quadro
Daniela Maciel
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Termos como alteridade e diversidade ganharam espaço no debate público ainda no fim do século passado. A prática de respeito e inclusão dentro das empresas, porém, apesar de figurar em campanhas publicitárias, não é uma coisa fácil e, muito menos, comum. Estudo realizado pela Vagas.com sobre o tema mostra que desinformação, preconceito e apego à práticas de gestão já ultrapassadas impedem que as empresas brasileiras tenham um quadro corporativo mais diverso, implicando com isso em inibição dos processos de inovação e compreensão sobre o público, também diverso.

O levantamento inédito é da Vagas.com, empresa de soluções tecnológicas de recrutamento e seleção, e da Talento Incluir, que atua na inclusão de pessoas com deficiência na sociedade por meio do mercado de trabalho. De acordo com a pesquisa, a maioria dos profissionais de recursos humanos (60%) afirmaram que a empresa onde trabalham não possui um programa de diversidade. E aqueles que informaram que contam com a iniciativa (40%), as ações são voltadas, em sua maioria, para pessoas com deficiência (88%) e jovem aprendiz (84%).

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Segundo o coordenador da pesquisa pela Vagas.com, Rafael Urbano, o quadro é assustador. “A penetração dos programas de diversidade é mínima nas empresas. É como se esses grupos não fizessem parte da sociedade ou que as empresas não fizessem. Chama a atenção o total de pessoas que já se sentiu prejudicada por essas questões. E aí se destaca o critério da idade. Precisamos pensar que com a reforma da Previdência as pessoas vão ficar mais tempo no mercado de trabalho e, a julgar pelo atual cenário, em que a idade avançada é um empecilho para a colocação no mercado, teremos um futuro muito complicado. As empresas vão precisar se adequar pela própria pressão do mercado. Quem fizer isso primeiro se sairá melhor”, explica Urbano.

A pesquisa revela, ainda, que mulheres, negros, pessoas com deficiência e profissionais mais experientes e qualificados foram os mais afetados em processos de recrutamento e seleção. Desse grupo de candidatos, 50% dos respondentes já se sentiram prejudicados em dinâmicas seletivas. Alguns perfis foram mais lesados, 54% de mulheres, 55% de pessoas negras, 59% de pessoas com deficiência, 64% de pessoas com mais de 55 anos e 59% de pós-graduados.

“As pessoas não percebem, então a questão fica muito mais no campo do discurso. Vemos, por exemplo, a maior parte dos processos coloca a idade como requisito. Isso desconsidera a história dos candidatos”, avalia a sócia-fundadora da Talento Incluir, Carolina Ignarra.

Preparadas - Para 62% dos profissionais de Recursos Humanos respondentes, as empresas onde eles trabalham não estão totalmente preparadas para lidar com a diversidade. Outros 25% acreditam que as companhias onde atuam não estão aptas a tratar do tema enquanto 3% não souberam opinar. Somente 10% desse público profissional afirmou que suas corporações estão prontas para essa questão.

“É natural que o gestor escolha pessoas parecidas com ele para trabalhar, por isso é tão importante que os gestores sejam treinados pra isso. A diversidade acaba sendo dividida em pilares representativos ligados aos vieses históricos. Não tem como quebrar essa cultura construída por séculos sem fazer ações afirmativas”, pontua a sócia da Talento Incluir.

“Por isso os programas são tão importantes. Quando perguntamos se os gestores estão preparados vemos que não. Falta informação, aceitação e respeito. Precisamos de uma mudança de mindset, sair do conforto”, completa o responsável pela pesquisa pela Vagas.com.
MOVIMENTO MINAS 2032

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