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Opinião

17/04/2018

Do Facebook, das fake news e da digitalização

Stefan Salej*
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Fora a prisão do ex-presidente Lula, no cenário nacional, e mais os julgamentos nos tribunais superiores de Justiça, além de um sem-número de candidatos à Presidência do Brasil (incrível, se o País está tão ruim, por que tantos querem ser candidatos e por que já não ajudaram nestas dezenas de anos a consertar a situação?), e as declarações de sábios consultores dos candidatos sobre como vão refazer tudo, vieram notícias dos Estados Unidos que vale a pena comentar.

O ataque aos alvos sírios pelas forças dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França é um desses fatos. Mas, outro que nos afeta muito é o depoimento do fundador e principal executivo, de 33 anos, do Facebook, Mark Zuckenberg, no Congresso norte-americano. O questionamento de dois dias do bilionário ocorreu em função do vazamento de dados pessoais de 58 milhões de usuários do Facebook para uma empresa britânica, Cambridge Analytics, a qual, após uma análise supersofisticada, vendeu informações a preço de ouro para o pessoal da campanha do Trump, que as usou com competência.

É muito importante lembrar que, com o avanço de tecnologias digitais e as facilidades de seu uso, acabou uma boa parte da nossa privacidade. Com a facilidade de comunicação e a alegria de falar com as pessoas, informando sobre as nossas vidas, damos informações que seriam sigilosas. E com o uso de avançados sistemas de computação (em especial, o uso de algoritmos) esses dados analisados servem para milhares de finalidades comerciais, políticas, de segurança e até de educação.

Na verdade, isso não tem nada de novo na história da humanidade. Na década de 1930, a gigante norte-americana de tecnologia IBM forneceu ao governo da Alemanha, já dirigida por Hitler, a de cartões perfurados Holerite, que permitiram o recadastramento da população alemã com detalhes (tais como religião, raça, opinião política, etc.), que bem alimentou o holocausto que ocorreu em seguida. Com precisão alemã e tecnologia norte-americana, assassinaram, entre outros, 6 milhões de judeus.

Hoje não sabemos bem quem usa quais tecnologias para fins de domínio político. Não tenho nenhuma dúvida de que o Brasil, atrasado no uso de tecnologias digitais para avançar econômica e socialmente, tenha sido, através de operadores políticos, usuário das mais avançadas tecnologias para bem dos candidatos, partidos e usurpadores do poder público. Ou seja, o uso para o mal, sem controle da sociedade e do governo, das tecnologias digitais, supera o do bem comum.

Portanto, não nos surpreendamos nestas eleições, no ambiente em que vivemos de falta de regulamentação, que o grande instrumento para ganhar as eleições sejam armas ocultas, como aconteceu em outros países, recentemente, de tecnologia digital. Mais fake news, notícias falsas, mais ataques cirúrgicos aos nossos  sentimentos, e menos privacidade. Quem sabe se a lembrança de 1933 e da experiência da época não esteja  tão distante da nossa realidade atual.

* Empresário, ex-presidente do Sebrae Minas e da Fiemg - Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e cofundador do Minas em movimento

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