19/06/2018
Login
Entrar




Opinião

12/06/2018

Do sobe e desce do dólar

Stefan Salej*
Email
A-   A+
Há semanas que ouvimos falar que o dólar, a moeda dos Estados Unidos, tem influenciado a alta de preços, não só dos combustíveis mas também dos comestíveis. Aí, o tal do dólar sobe, na verdade é o real que fica desvalorizado, e o país econômico entra em pânico. O Banco Central começa a queimar reserva, só 20 bilhões de dólares. O pior são as  explicações que dão os representantes do governo: calma, está tudo sob controle, temos reservas cambiais que cobrem a saída de dólares, e mais um monte de coisas que não saem da repetição dos eventos do passado.

Mas, qual é a realidade da turbulência cambial? A primeira é que a economia brasileira não é uma economia dissociada do mundo. Nós fazemos parte da economia mundial, e somos altamente dependentes dela. E não temos nenhuma influência nos movimentos que regem a economia mundial, mas, só repetindo, afetados por ela e muito. A valorização do dólar e os aumentos dos juros nos Estados Unidos ou Europa, as barreiras comerciais e a política monetária dos bancos centrais de países desenvolvidos, têm influência forte na economia brasileira.

Em segundo lugar, a nossa matriz econômica não é baseada na produção, mas nos ganhos de especulação. Somos um país por excelência de terra fértil para a especulação, seja para os nativos, e, muito mais, para o capital estrangeiro. E repetindo, ele vem, mas sai ainda mais rápido do que entra. Então cria-se uma ilusão de que estamos bem com a entrada de investimentos estrangeiros, quando eles vêm para especular, ou vêm rastreados nos empréstimos e benefícios fiscais que só aumentam as nossas vulnerabilidades de contas públicas ou contas externas. Claro que há exceções, mas que só confirmam a regra.

E a questão básica passa em seguida pela nossas exportações. Sempre e cada vez mais e mais dependentes não só de matérias-primas e produtos primários mas de traders externos. Exceção talvez sejam a Vale, com mineiro de ferro, e alguns exportadores de carnes vermelhas e brancas. Mas estes já têm passivo de qualidade que nos leva a tremer quando vem alguma inspeção sanitária. No caso do café, só exportamos grãos e cafés especiais, que, apesar de um esforço  formidável de alguns, ainda não representam um valor significativo.

As nossas importações são baixas porque a economia não deslancha. E as saídas na conta de turismo é maior do que a entrada com turistas estrangeiros.

Em resumo, tem cada vez menos dólares para gastar e cada vez mais gente querendo dólar, nem que seja para reserva contra essas incertezas e vulnerabilidades de todo dia. O pior é a ilusão de  que tudo está bem. O câmbio não deve refletir insegurança jurídica e política, mas é uma componente de política econômica e cambial. Mas, lamentavelmente, no nosso caso reflete sim e ainda vai balançar muito mais, porque a situação é precária e com perspectivas pouco claras. Mas o pior não é a percepção, o pior é que não teremos dólar para a farra cambial dos especuladores.

* Ex-presidente do Sebrae Minas e da Fiemg - Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e cofundador de Minas em movimento

Publicidade

Aproveite! Assine o DC e tenha notícias exclusivas

Leia também

19/06/2018
Ciro defende projeto de reindustrialização do Brasil
Pré-candidato do PDT quer parceria entre setores estatal e privado
19/06/2018
Editorial
Futuro adiado mais uma vez
19/06/2018
Geopolítica em evidência
Faltando poucos meses para as eleições no Brasil, a indefinição com relação aos nomes dos candidatos, o fenômeno da polarização e o...
19/06/2018
Tiraram a alegria das arquibancadas...
“Se a alegria popular definhou a culpa cabe, por inteiro,  à desastrosa condução dos negócios políticos e administrativos.” (Domingos Justino...
19/06/2018
O vulcão social
Os geofísicos ensinam que a fusão de rochas com materiais voláteis, quando submetidas a uma temperatura que pode chegar aos 1500º C, resulta em magma, substância...
› últimas notícias
Preço do diesel recua R$ 0,41 em Minas
Mais de 40% das empresas usam planilhas ao contratar
Inadimplência recua na Capital
TCU vai apurar se cobrança por despacho de bagagem reduziu preços das passagens
Governo espera movimentar a economia com liberação de saques
Leia mais notícias ›
› Newsletter
O melhor conteúdo exclusivo e gratuito no seu e-mail:




Cadastrar
› Mais Lidas
Leia todas as notícias ›
Publicidade
› Assine o DC

Acesso completo

aos conteúdos online e versão impressa.
Único jornal especializado em Economia, Negócios e Gestão de Minas Gerais.
Ferramenta indispensável para fazer bons negócios.
› Edição Impressa


19 de junho de 2018
Conteúdo exclusivo para assinantes
› DC no Facebook
 
© Diário do Comércio. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.