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Opinião

07/01/2017

Editorial

Sobram ambições e faltam virtudes
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O impeachment da presidente Dilma Rousseff, desencadeado em novembro de 2015 quando o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, autorizou a abertura do processo, foi apresentado, defendido e efetivado como garantia de transformações capazes de devolver a política aos seus trilhos. E propiciar também a recuperação da governabilidade e reconquista da credibilidade, abrindo caminhos para a volta do crescimento econômico.

Consumada a troca de governo, os avanços claramente ficaram aquém do esperado e do prometido, subsistindo dificuldades no campo político agora mais uma vez evidenciadas nas manobras que cercam a indicação do futuro presidente da Câmara dos Deputados, segundo nome na linha de sucessão, que será eleito no próximo mês.

Mais uma vez, o que se pode constatar é que na política brasileira continua sobrando ambições e faltando virtudes. A agenda institucional, aquela que deveria estar conectada com decisões que são cruciais, garantindo a governabilidade e uma gestão eficiente, está novamente paralisada porque todos se ocupam dos movimentos visando definir a sucessão na Câmara. Os problemas do País, a crise econômica com seu corolário de desemprego, recessão e empobrecimento, ficam - ou continuam - em segundo plano. Nem mesmo as ameaças, concretas, de um possível colapso institucional parecem abalar os personagens dessa trama em que, para espanto geral, o ex-presidente Eduardo Cunha ainda joga suas cartas.
O Planalto se declara neutro e fora dessa disputa, o que evidentemente não é verdade.

Garantir a coesão da base parlamentar, que já dá sinais de corrosão, é essencial para sobrevivência de Michel Temer e sua agenda de reformas em que a palavra final é parlamentar. Mudanças que são igualmente cruciais para a reversão das expectativas com relação à economia, num cenário que se espera logo venha a ser de recuperação. Ainda que quase tudo continue sendo tratado pelo viés de interesses que prosseguem claramente desconectados das grandes e mais urgentes questões nacionais, repetindo velhas práticas que deveriam estar banidas da vida política.

Mudam os cenários e não mudam o roteiro e os atores principais, todos empenhados numa corrida em que o poder é o único objetivo e não importa como alcançá-lo. Nada em síntese que guarde coerência com as manifestações que alimentaram a batalha do impeachment, tendo como mote a defesa de valores, como a ética e a boa gestão, além de sintonia com o interesse público.

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