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Opinião

10/01/2017

Editorial

Em busca de custos menores
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Com doze milhões de desempregados, crescimento da informalidade e um claro processo de desindustrialização, a economia brasileira ainda exibe fôlego para, pelo menos, ampliar investimentos no Paraguai. O movimento, que não é novo, começa a chamar atenção, enquanto o país vizinho comemora a possibilidade de substituir boa parte dos produtos que as empresas brasileiras hoje trazem da China. A ideia é esta e tem dado certo do ponto de vista dos paraguaios, que pretende se transformar numa plataforma de produção barata e desburocratizada para atender ao mercado brasileiro. A estratégia é simples e direta. Quem atravessar a fronteira estará sujeito ao pagamento de apenas 1% de tributos, desde que exportem a totalidade da produção, além de estar submetido a uma legislação trabalhista bem mais flexível.

Um convite que pode ser irresistível para muitas indústrias brasileiras e o número das que tomam esta direção está crescendo. A chamada “lei da maquila” está em vigor há três anos e já abriga 124 indústrias brasileiras, das quais 78 se instalaram depois de 2014. Até agora foram 6,7 mil empregos diretos criados no Paraguai e dois terços dos investimentos externos realizados no país. O processo de instalação de uma empresa nestas condições demora, em média, 45 dias e a fila de candidatos está aumentando diante de facilidades como a possibilidade da transferência de equipamentos sem qualquer tributação. Uma empresa brasileira pode, simplesmente, fechar suas portas e transferir tudo, inclusive máquinas, para o Paraguai, onde os custos trabalhistas também são bem menores.

Quem não enxerga ameaça neste movimento diz que ele é até certo ponto natural e previsível e ocorre numa escala que não tem como crescer muito. Os paraguaios ou, pelo menos, o governo do país, se dá por satisfeito e aposta alto, enxergando seu país, no futuro, como a China da América Latina. Fornecedores de componentes para a indústria de material de transportes parecem concordar e estão montando fábricas com o único objetivo de abastecer as montadoras instaladas no Brasil, sacrificando ainda mais a já combalida indústria de autopeças.

Fingir que não está acontecendo nada será, para o País, o maior dos erros. Mais sensato será aprender com o óbvio, enxergando que empresas brasileiras estão atravessando a fronteira em busca de um ambiente menos hostil, de onde possam mandar de volta seus produtos sem tantos riscos como fez uma grande cadeia varejista que transferiu para o Paraguai a produção de confecções. Perceber a realidade será o primeiro passo para que ela possa ser transformada de uma maneira mais favorável.

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