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Opinião

12/01/2017

Editorial

Trump e o fogo da discórdia
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Donald Trump assume a presidência dos Estados Unidos no próximo dia 20 colocando lenha em uma fogueira que há muito deveria ter sido apagada: a das desavenças entre os povos.

Bem antes de tomar posse, o magnata republicano vem usando as redes sociais como uma nova forma de fazer política. Comumente, dá seus recados, suas alfinetadas, quase sempre muito agressivas, através do Twitter.

O México, que, além de vizinho geográfico dos Estados Unidos, é forte parceiro comercial dos norte-americanos, tem sido um dos mais atacados por Trump. E os bombardeios surtem efeitos negativos para os mexicanos e sua economia.

O milionário abriu fogo contra as montadoras de automóveis que têm fábricas no México ou que revelaram planos de instalá-las por lá. Trump ameaça puni-las com taxas de 35% sobre a importação de carros do México. Algumas dessas indústrias produzem parte dos veículos no país vizinho e os montam nos EUA.

A pressão chegou a tal ponto que a Ford, por exemplo, anunciou, na semana passada, que desistiu dos planos de construir no México uma fábrica orçada em US$ 1,6 bilhão, para investir US$ 700 milhões, ao longo de quatro anos, em uma planta no estado norte-americano de Michigan.

A Fiat Chrysler, por sua vez, admite que, caso Donald Trump realmente adote tarifas rigorosas sobre veículos importados do México, poderá fechar duas fábricas no país. Além disso, a montadora italiana anunciou investimento de US$ 1 bilhão nos EUA, com criação de 2 mil empregos em Ohio e Michigan, o que mereceu elogios do presidente eleito.

Para enfrentar a birra de Trump com o México, o presidente do país, Enrique Peña Nieto, acaba de nomear para o Ministério das Relações Exteriores Luis Videgaray, um de seus assessores mais próximos. E o novo ministro já respondeu à altura a uma das provocações mais célebres de Donald Trump. Ele afirma que o país não pagará pela construção do tal muro entre Estados Unidos e México, que o presidente eleito garante que vai erguer e enviar a conta aos vizinhos.

“Isso não vai acontecer de jeito nenhum. Não é uma questão de quanto custa ou de onde vem o dinheiro, é uma questão de dignidade e de soberania nacional”, frisou Videgaray, emendando que “imigrantes mexicanos não são criminosos, são pessoas produtivas”.

Apesar de o México parecer ser seu alvo preferido, Donald Trump não tem poupado outros países e governos, como China, Irã e Cuba. A China é uma que já deixou clara sua insatisfação com atitudes e farpas verbais do megaempresário. Nesta semana, o jornal estatal chinês Global Times alertou o presidente eleito dos Estados Unidos de que o gigante asiático pode “buscar vingança” se ele não respeitar a política de uma China única e continuar tratando Taiwan como um governo independente. Trump tem insistido em se dirigir à presidente de Taiwan como chefe de Estado, ao passo que o território é anexado pela República da China.

Pelo que sinalizam as sérias polêmicas alimentadas por Donald Trump, o futuro chefe de Estado é afeito a ser o alvo de atenções conturbadas. O que não se sabe ainda – e o tempo a desvendar isso pode não ser longo – é se ele próprio não sairá chamuscado pela fogueira de suas próprias vaidades

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