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Opinião

15/03/2017

Editorial

Acertar fica mais difícil
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A política, tal como se apresenta, continua mostrando aos brasileiros a sua pior face,  constatação que não se sustenta apenas com os desdobramentos das investigações sob patrocínio do Ministério Público, numa aparentemente inesgotável sucessão de malfeitos. É o caso da rebelião ensaiada no PMDB, semana passada, com um grupo de parlamentares cobrando as cabeças de alguns líderes partidários, todos eles muito próximos do presidente Michel Temer, e já citados nas investigações em andamento. Reclamam - o que a primeira vista parece elementarmente adequado - que nem o governo nem o partido ficam bem nessa situação, sendo recomendável que todos sejam afastados até que tudo se esclareça.

Aquele que, num juízo mais apreçado, enxergar virtude nessas manifestações terá novos motivos para se decepcionar. O ensaio de rebelião na realidade teria sido patrocinado por um grupo íntimo do deputado Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e hoje preso em Curitiba, incrivelmente ainda capaz de jogar suas cartas.

Fazer política, nessas condições, deve ser realmente muito difícil e o governo do presidente Michel Temer tem bons motivos para acreditar que a turbulência está longe de passar. Os prognósticos de analistas bem situados apontam na direção contrária, reafirmando que importantes votações na Câmara e no Senado, muito em especial a reforma da Previdência, já não devem ser dadas como favas contadas ou, pelo menos, dependerão de novas e maiores concessões. O mérito da questão, que no ponto de vista do governo representa a pedra de toque do ajuste fiscal, passa ao largo das deliberações, o mesmo acontecendo com os argumentos de quem enxerga na reforma proposta grave ameaça aos trabalhadores. Só parece interessar mesmo aos políticos o que se pode ganhar ou não, numa troca que continua sendo feita às claras e sem qualquer pudor.

Por óbvio, não parecem ser menores as dificuldades que se colocam no campo da gestão, onde os mesmos malabarismos se repetem, sem espaços para a razão, para a qualificação ou para o mérito. Algo bem ilustrado em outro caso recente, envolvendo o Ministério das Relações Exteriores e os dois últimos titulares da pasta. Para valorizar o ex-ministro José Serra, o presidente da República passou para a órbita do Ministério a Camex, antes operada a partir do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Empresários não gostaram do arranjo que foi desfeito com o afastamento de Serra mas o bom senso durou pouco. O novo ministro, Aloysio Nunes, não aceitou perder uma fatia de seu bolo e mais uma vez o presidente da República teve que recuar. Esperar resultados nessas circunstâncias continua sendo algo bem próximo da fantasia.

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