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Opinião

18/04/2017

Editorial

Mobilização para escapar
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A decisão do Supremo Tribunal Federal ( STF ) de autorizar a abertura de processos contra alguns dos integrantes da cúpula política do país não parece ter sido percebida pelo presidente Michel Temer como uma ameaça. Aos primeiros sinais de que a temperatura política poderia se elevar ao ponto de ebulição ele disse que nem o país nem o governo podem parar, fingindo uma normalidade que não existe em Brasília faz tempo. Depois de sucessivas reuniões no final de semana, inclusive com os presidentes da Câmara e do Senado, o presidente acredita que é possível acelerar a pauta parlamentar. E votar, já nesta terça-feira, em regime de urgência, a reforma trabalhista e o projeto de recuperação fiscal dos estados. Também hoje, num café da manhã, Temer discute com ministros e parlamentares o andamento da reforma da previdência.

Vista à distância, a situação parece bem mais complicada. Os comentários da imprensa internacional são no sentido de que as denúncias de corrupção atingem a classe política e o alto escalão da administração federal, obviamente fragilizando o governo, podendo paralisar o país a grave crise econômica. Nesse ambiente turbulento também enxergam movimentos visando acelerar a reforma política, porém não na direção de definir mecanismos que evitem a repetição de desvios como os que agora vêm a público. Políticos sob suspeita e risco de condenação querem na verdade promover um grande acordo que funcione como uma espécie de indulto para todos.

Já o presidente parece contar que o tempo corra a seu favor, porque as denúncias agora apresentadas dificilmente se transformarão em processos que possam atingir alguns de seus mais próximos colaboradores antes das eleições do próximo ano. Do próprio Supremo surgem comentários de que ali não existe estrutura capaz de lidar com tantos processos ao mesmo tempo, o que poderá significar arquivamento ou prescrição antes de julgamento. Muitos, de fato, parecem contar que seja este o epílogo.

Gente mais séria não pensa assim, enxergando o Brasil envolvido numa crise ética e política que, tendo comprometido a gestão, comprometeu também a economia. Restaurar a credibilidade, movimento que até há pouco era apontado como necessário exclusivamente para fazer com que as rodas da economia voltassem a girar, hoje exige muito mais. É preciso mudar, é preciso renovar, abrindo espaço para lideranças comprometidas com o sentido mais elevado da política. Sem que este movimento tome forma, sem que a sociedade civil promova a conversão que se faz cada dia mais necessária, terão razão aqueles que enxergam o país paralisado e à beira do abismo.

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