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Opinião

19/04/2017

Editorial

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A taxa básica de juros, que em meados do ano passado estava em 14,25% ao ano, foi reduzida em um ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central realizada há uma semana. Há quem comemore que a taxa oficial de juros tenha sido reduzida, como consequência do último corte, a 11,25%, acompanhada mais uma vez do anúncio de que “existe espaço” para cortes ainda maiores nos próximos meses. Há também quem continue lembrando que os juros praticados no Brasil continuam sendo os mais altos de todo o mundo, algo que não faz o menor sentido tendo em conta que o país está em recessão.

Em Brasília, talvez mais pelos sinais de que a tão desejada recuperação da economia está ainda longe de ganhar folego, os defensores da política monetária mais rígida estão claramente perdendo força. Da mesma maneira que perdem argumentos diante do anúncio de que a inflação acumulada em doze meses somava, no final de março, 4,57% e chegará ao final do ano abaixo do centro da meta. Sobra, de fato, apenas a conclusão de que o ritmo de redução das taxas de juros pode e deve ser acelerado, conforme sustentam, faz muito tempo, empresários ligados ao comércio e aos setores produtivos.

Espanta que o próprio governo central não tenha engrossado este coro, talvez numa reverencia tempestiva ao ex-vice-presidente José Alencar Gomes da Silva que tanta atenção dedicou ao tema. Um governo que se diz preocupado com o desequilíbrio das contas públicas e com as proporções do desemprego no país está sendo incoerente, para dizer o mínimo, ao tratar a questão dos juros como algo secundário ou menos importante. Não, definitivamente não, quando é sabido seu impacto sobre o serviço da dívida pública, de longe a maior conta que pesa sobre o Tesouro Nacional. Cortar juros não significa apenas favorecer a produção e os investimentos, mas em primeiro lugar, reduzir rapidamente a conta astronômica que realimenta o déficit público.  

Se existe espaço para isso, conforme tardiamente reconhecem até mesmo alguns economistas mais ortodoxos, é absolutamente espantoso que ele não seja aproveitado com a agilidade que a situação do país requer. Claramente já não se trata de uma questão de prudência ou, como tantas vezes foi dito no passado, de falta de opções. O tamanho da dívida pública e, consequentemente, o custo de sua rolagem, faz do Tesouro – e dessa forma cada contribuinte brasileiro individualmente - o maior pagador de juros e em proporções tais que, a sério, os cortes de despesas da forma como são postos em discussão tornam-se irrelevantes, despropositados até. Ou tão elementar quanto incompreensível.

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