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Opinião

20/04/2017

Editorial

Desafios para os brasileiros
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A crise política em que o país foi sendo mergulhado, à medida que investigações patrocinadas pelo Ministério Público revelaram que a corrupção no setor público parece não ter limites, tem produzido uma sensação de vácuo talvez sem paralelo. À medida que listas e denúncias foram se acumulando, graças às delações que vem sendo feitas, foi possível verificar a extensão e a profundidade do mar de corrupção, mencionado por um dos promotores, onde navegam alguns dos nomes que estão no topo dos quadros políticos, representando quase duas dezenas de partidos. Todos, sem exceção, se dizem inocentes e injustiçados, o que evidentemente não basta para remover as evidencias e provas que se avolumam.

Quem navega nessas águas ou protesta inocência ou ainda tenta fazer crer que a vida em Brasília corre normal. Querem mostrar serviço, fazendo crer que as reformas em discussão no Legislativo podem avançar com mais celeridade e sem atropelos. Aceitam até apressar as discussões sobre a reforma política, tema que permanecia adormecido nos últimos vinte anos ou até mais. E não exatamente porque teriam concluído que o sistema atual faliu depois de ter mergulhado o pais numa de suas mais graves crises, com repercussões na administração pública e na economia. Se movimentam na esperança de que ainda possam encontrar uma brecha que os salve, na forma de algum tipo de indulto e com a introdução do sistema de votação em lista fechada, abrigo certo para os que hoje não têm futuro.

Vozes mais realistas e menos comprometidas reiteram que o sistema político está contaminado a tal ponto que dele já não se pode esperar respostas satisfatórias. Surge assim a ideia de convocação de uma Constituinte exclusiva para realizar, afinal, a reforma política, possivelmente seguida da convocação de novas eleições. Alguns lembram que mantidas as condições atuais os prognósticos só podem piorar. Observadores estrangeiros, estudiosos do Brasil, acentuam que a imprevisibilidade está crescendo, que o país precisa de novas lideranças e de novos projetos, apontando que a crise pode, afinal, ser uma oportunidade. Trata-se de realizar afinal mudanças profundas no campo político, área que não acompanhou a modernização que o país conheceu nas últimas décadas.

Nada que signifique um acordo de conveniência, destinado apenas a proteger interesses que hoje estão incomodados, patrocinando uma espécie de apagão em que todos se salvem. A questão está em aproveitar a turbulência para, afinal, corrigir o rumo, num processo que seja também da busca de convergência e de pacificação, sem concessões que permitam insultos à ética e a recuperação de valores que podem parecer apagados mas que certamente não foram esquecidos pela maioria dos brasileiros.

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