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Opinião

21/04/2017

Editorial

Reformas nem nas aparências
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A administração federal vinha apresentando a reforma do sistema previdenciário como algo bastante semelhante à medida de salvação nacional. O déficit que já é grande cresceria, mantidas as condições vigentes, em progressão vertiginosa, literalmente sufocando o orçamento público. O presidente da República chegou a afirmar que em sete anos o estouro estaria consumado. Tanta pressão não parece ter produzido os resultados desejados e o governo teve que refrear seus ímpetos diante dos riscos de ver a proposta bloqueada no Congresso Nacional, criando ao mesmo tempo uma derrota política e mais um problema de gestão. Em síntese, a reforma acabará ficando pela metade, fazendo não mais que reduzir pressões imediatas e, mais uma vez, adiando uma abordagem sistêmica do problema. Para alguns especialistas, será um alivio apenas temporário, exigindo que a questão necessariamente volte à pauta já no próximo governo.

Há quem diga também que o problema pode ser menor. Na realidade, a equipe econômica, com o ministro Meirelles à frente, exagerou na dose ao apresentar a primeira versão da reforma. Um velho artifício para causar impacto e fazer pressão, porém deixando espaços para negociação. Como chegou a dizer o presidente Michel Temer num outro momento, seria muita presunção imaginar que matéria tão importante pudesse passar incólume pelo Congresso. Certo é que o desequilíbrio nas contas públicas permanece, sem as mudanças que faz pouco tempo eram anunciadas como impositivas.

No ano, segundo informações do Ministério da Fazenda, a administração federal conseguiu realizar cortes que somam R$ 10 bilhões, porém apenas as despesas com a previdência cresceram R$ 16 bilhões. Fica evidente, considerado o tamanho do déficit ou as exatas proporções do desequilíbrio fiscal, que continua sendo imperiosa a necessidade de “cortar na própria carne”, com exemplos de austeridade e disciplina que continuam sendo apenas uma expectativa e dando razão aos que dizem que na realidade o governo não tem estratégia alguma, jogando com o tempo e, como sempre, deixando a conta de seus erros para os contribuintes pagarem.

Com a previsão de um déficit para este ano de R$ 139 bilhões, com mais um exercício de números negativos, é mais que evidente que, houvesse seriedade e comprometimento, a tesoura dos cortes estaria atuando com mais velocidade e produzindo exemplos reais de austeridade, sem espaços para tantas regalias, sem que o Executivo continue alimentando sua base parlamentar com favores e cargos, fazendo crescer na mesma proporção o peso do Estado. Este é um caminho estreito, num horizonte em que as dificuldades à frente serão fatalmente ainda maiores.

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