Publicidade
22/09/2017
Login
Entrar

Opinião

21/04/2017

Editorial

Reformas nem nas aparências
Email
A-   A+
A administração federal vinha apresentando a reforma do sistema previdenciário como algo bastante semelhante à medida de salvação nacional. O déficit que já é grande cresceria, mantidas as condições vigentes, em progressão vertiginosa, literalmente sufocando o orçamento público. O presidente da República chegou a afirmar que em sete anos o estouro estaria consumado. Tanta pressão não parece ter produzido os resultados desejados e o governo teve que refrear seus ímpetos diante dos riscos de ver a proposta bloqueada no Congresso Nacional, criando ao mesmo tempo uma derrota política e mais um problema de gestão. Em síntese, a reforma acabará ficando pela metade, fazendo não mais que reduzir pressões imediatas e, mais uma vez, adiando uma abordagem sistêmica do problema. Para alguns especialistas, será um alivio apenas temporário, exigindo que a questão necessariamente volte à pauta já no próximo governo.

Há quem diga também que o problema pode ser menor. Na realidade, a equipe econômica, com o ministro Meirelles à frente, exagerou na dose ao apresentar a primeira versão da reforma. Um velho artifício para causar impacto e fazer pressão, porém deixando espaços para negociação. Como chegou a dizer o presidente Michel Temer num outro momento, seria muita presunção imaginar que matéria tão importante pudesse passar incólume pelo Congresso. Certo é que o desequilíbrio nas contas públicas permanece, sem as mudanças que faz pouco tempo eram anunciadas como impositivas.

No ano, segundo informações do Ministério da Fazenda, a administração federal conseguiu realizar cortes que somam R$ 10 bilhões, porém apenas as despesas com a previdência cresceram R$ 16 bilhões. Fica evidente, considerado o tamanho do déficit ou as exatas proporções do desequilíbrio fiscal, que continua sendo imperiosa a necessidade de “cortar na própria carne”, com exemplos de austeridade e disciplina que continuam sendo apenas uma expectativa e dando razão aos que dizem que na realidade o governo não tem estratégia alguma, jogando com o tempo e, como sempre, deixando a conta de seus erros para os contribuintes pagarem.

Com a previsão de um déficit para este ano de R$ 139 bilhões, com mais um exercício de números negativos, é mais que evidente que, houvesse seriedade e comprometimento, a tesoura dos cortes estaria atuando com mais velocidade e produzindo exemplos reais de austeridade, sem espaços para tantas regalias, sem que o Executivo continue alimentando sua base parlamentar com favores e cargos, fazendo crescer na mesma proporção o peso do Estado. Este é um caminho estreito, num horizonte em que as dificuldades à frente serão fatalmente ainda maiores.

Publicidade

Aproveite! Assine o DC e tenha notícias exclusivas

Leia também

22/09/2017
Editorial
Alento para os mineiros
22/09/2017
O grande desafio para as MPEs
O ambiente corporativo nas milhares de empresas que lidam de forma direta e indireta com o poder público passa por fortes mudanças. Entre os motivos que conduzem o novo cenário...
22/09/2017
O crime de Raúl Sendic
No início deste mês, o vice-presidente do Uruguai, Raul Sendic, pressionado pela opinião pública, renunciou ao cargo por haver se envolvido no uso escandaloso de...
22/09/2017
Cibersegurança no setor financeiro
As organizações de serviços financeiros correm um risco maior de ciberataques devido à natureza dos dados que armazenam e às motivações,...
21/09/2017
Editorial
Interesses a defender
› últimas notícias
Editorial
"A Costa dos Murmúrios", da portuguesa Lídia Jorge
CCPR assume 100% de participação na Itambé
Temer recebeu propina, afirma Funaro
Banco Central reduz as projeções para a inflação deste ano
Leia mais notícias ›
› Newsletter
O melhor conteúdo exclusivo e gratuito no seu e-mail:

Cadastrar
› Mais Lidas
Usiminas reajustará preços em 10,2%
Setor de mineração deve mudar o foco dos investimentos
Fiemg apresenta plano para o Alto Paranaíba
BR Food cogita reduzir produção em fábricas de Uberlândia
Crise econômica impacta o financiamento estudantil
Leia todas as notícias ›
Publicidade
› Assine o DC

Acesso completo

aos conteúdos online e versão impressa.
Único jornal especializado em Economia, Negócios e Gestão de Minas Gerais.
Ferramenta indispensável para fazer bons negócios.
› Edição Impressa


22 de September de 2017
Conteúdo exclusivo para assinantes
› DC no Facebook
 
© Diário do Comércio. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.