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Opinião

20/05/2017

Editorial

Decolagem mais lenta
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Em sua recente passagem por Belo Horizonte e durante almoço com empresários locais, o ministro Henrique Meirelles mostrava-se confiante com relação à recuperação da economia brasileira, um processo que na sua opinião já foi desencadeado. O ministro, normalmente contido, exibiu os últimos dados referentes ao comportamento do mercado de trabalho para sustentar seu ponto de vista, lembrando que no mês de abril foram criadas 59 mil vagas, o melhor resultado nos últimos três anos. Mesmo que o balanço para os quatro primeiros meses do ano ainda seja negativo, o ministro enxergava, na terça-feira, razões objetivas para exibir daqui para frente uma sequência de dados positivos, refletindo a retomada da economia.

Tudo isso aconteceu na terça-feira, véspera do furacão que se abateu sobre o País com denúncias que pela primeira vez alcançaram diretamente o presidente da República. Na quinta-feira o dólar registrou a maior alta em um único dia e a bolsa de valores fechou com queda de 8,80%, indicadores piores que os registrados quando estourou a crise financeira internacional de 2008. Diante do agravamento da crise política os humores mudaram rapidamente, pela insegurança e, principalmente, pelos riscos de que as reformas encalhem por tempo indeterminado.

Na terça-feira em Belo Horizonte, o principal responsável pela condução da economia no governo do presidente Michel Temer repetia que a principal garantia de que os bons prognósticos se confirmarão está, em primeiro lugar, na aprovação das reformas em discussão no Congresso Nacional e, segundo, na retomada da confiança pelo setor privado. Ele também apontava os números divulgados pelo Banco Central com registro de expansão de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, na comparação com o último trimestre de 2016, após oito trimestres consecutivos de quedas.

Foram necessários menos de quatro dias para que as perspectivas se alterassem drasticamente, retornando o cenário de incertezas. Ninguém a rigor se arrisca a fazer apostas com relação à evolução da situação política, menos ainda prognósticos confiáveis sobre o destino do governo liderado pelo presidente Temer, sobre quem pesam acusações com as quais não é possível conviver em condições minimamente normais. Os mais sensatos recomendam e dizem ainda esperar que o ponto de equilíbrio seja novamente encontrado evitando que definições cruciais sejam ainda mais retardadas.

Em Belo Horizonte, na terça-feira e diante de alguns dos maiores empresários mineiros, o ministro da Fazenda dizia que a recessão e seus piores efeitos já podiam ser vistos pelo retrovisor. Rapidamente o cenário se modificou, impedindo que Meirelles repita, com a mesma confiança, o que foi dito há menos de uma semana.

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