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Opinião

27/07/2017

Editorial

Dois mundos bem diferentes
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A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) opera atualmente com 20% dos recursos disponíveis há três anos. Destacadas entre as maiores e mais bem- conceituadas universidades federais, a UFMG sofre os efeitos de sucessivos cortes nas verbas a ela destinadas, já numa situação que beira o colapso. Conforme foi revelado na semana passada, durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, se mantidas as condições atuais é de se admitir que a partir do mês de setembro a UFMG esteja muito próxima a uma situação de colapso, já sem condições de operar com um mínimo de normalidade. Uma situação que, essencialmente, não é muito diferente do que se passa nas demais universidades federais, algumas enfrentando dificuldades até maiores.

São os efeitos das dificuldades fiscais enfrentadas pelo País e dos sucessivos cortes impostos aos orçamentos destas instituições, com reflexos danosos também nas áreas de pesquisas. Projetos em andamento estão sendo comprometidos, com prejuízos claros à economia e à competitividade do País. Em manifesto, 16 instituições federais da área fizeram saber suas preocupações, alertando que importantes projetos estão sendo paralisados e a partir do mês de setembro não haverá recursos nem mesmo para o pagamento das despesas de custeio. Os institutos reclamam a liberação imediata de, pelo menos, R$ 70 milhões para atender necessidades básicas e mais R$ 30 milhões para manutenção de equipamentos.

Estas notícias coincidem com o anúncio de que entrou em operação um novo avião de grande porte – Boeing 767 -, alugado nos Estados Unidos ao custo de R$ 71 milhões por três anos para servir à Presidência da República, especialmente nas viagens de longo curso. A ideia é evitar escalas, ganhando tempo nas viagens internacionais, além de fugir daquilo que alguém do cerimonial considerou como “constrangimentos” impostos pela utilização do Airbus que serve à Presidência desde 2005, comprado pelo ex-presidente Fernando Henrique e posto em operação já no primeiro mandato do ex-presidente Lula e com pelo menos mais 18 anos de vida útil.

Numa escala de prioridades construída com um mínimo de bom senso não se pode acreditar que faça algum sentido incorporar um novo jato à frota presidencial no mesmo momento em que foi anunciado aumento de impostos para tentar impedir que aumente ainda mais o déficit fiscal. São decisões que mostram que a ideia de “cortar na própria carne” continua sendo apenas um exercício de retórica. Afinal, para os brasileiros, aqui e lá fora, constrangimento de fato é saber que as universidades públicas estão em situação de penúria, mesmo destino de instituições de pesquisa onde o futuro do País deveria estar sendo construído.

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