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Opinião

11/08/2017

Editorial

Contas que não fecham
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Diante da tarefa impossível de tentar administrar um saco sem fundo, Brasília parece ter jogado a toalha. Não há como cumprir a meta fiscal para o ano, com previsão atual de um déficit primário de R$ 139 bilhões, e a revisão será inevitável. Falta saber quando e quanto, com o ministro da Fazenda afirmando que será mais sensato aguardar pelo menos mais dois meses para que se avalie o comportamento e tendência da arrecadação federal, havendo expectativa de que parte da frustração do primeiro semestre possa ser compensada. Fora do governo há quem diga, talvez com um pouco de exagero, que poderá ser acrescentado mais R$ 50 bilhões à conta do déficit para o exercício.

Será de qualquer forma, nas circunstâncias, um exercício muito difícil, tendo em conta que até agora a administração federal, mesmo dizendo e repetindo que o ajuste fiscal é o seu primeiro e maior compromisso, a rigor não conseguiu aproximar o discurso da ação, numa conta que não fecha. Faltou e continua faltando o elementar exercício de avaliar as contas, enxergar onde está o peso maior e aí sim colocar a tesoura para funcionar. Ou em termos objetivos apontar direto para as despesas com pessoal, além de encontrar meios e modos de encarar o monumental problema da conta do serviço da dívida pública que consome em torno de 40% do orçamento federal e, não por acaso, evidentemente, fica fora da soma do déficit primário.

Sem pontaria certeira, talvez até sem vontade e condições políticas para atacar o problema nas suas causas, a administração federal na prática está imobilizada. Não tem como investir, por exemplo, em áreas críticas como infraestrutura, permite que a área de educação - situação bem evidenciada no estrangulamento das universidades federais – e de pesquisa se aproximem do colapso e que o mesmo aconteça com a segurança pública ou com a cultura e sequer consegue inverter a curva de gastos, tornando pior o que já era muito ruim.

Restaria então somente reconhecer o erro e refazer as contas, esquecendo a promessa de que o reequilíbrio seria alcançado mesmo que fosse preciso cortar na própria carne. Melhor pensar agora em recorrer mais uma vez ao bolso dos contribuintes, mesmo com o risco de nada encontrar e, pior, dando a entender que está avaliando alternativas para elevar a carga tributária em busca de um reforço estimado em R$ 35 bilhões. Definitivamente não parece fazer o menor sentido elevar impostos com a economia em recessão e tentando se aprumar. E, como se fosse possível fazer ainda pior, justamente quando é discutido também novo programa de refinanciamento de dívidas tributárias, melhor evidência do tamanho do problema e da distância das soluções.

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