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Opinião

09/09/2017

Editorial

Minas conta seus mortos
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Depois de mais um acidente grave no Anel Rodoviário de Belo Horizonte, agora com três vítimas fatais, o prefeito Alexandre Kalil anuncia disposição de processar criminalmente, acusando-as de omissão, autoridades federais responsáveis pelo Anel. Reclamará ao mesmo tempo que a gestão da via seja transferida à Prefeitura, assim como os recursos nela alocados. Diante do problema e, sobretudo, diante da indiferença das autoridades federais, é impositivo que seja dado curso a ações mais enérgicas, permitindo que as intervenções há tanto reclamadas sejam afinal concretizadas.

O Anel Rodoviário de Belo Horizonte perdeu, faz tempo, condições mínimas para suportar o tráfego a que é submetido e, tecnicamente, a sua função básica de interligar rodovias federais que cortam a região metropolitana, desviando o trânsito de caminhões das áreas mais centrais. Hoje, naquela via, o tráfego predominante é de veículos leves, em trânsito urbano. O Anel deixou de ser uma rodovia para se transformar numa grande avenida e sem que tenham sido feitas as adequações que possibilitassem convívio entre veículos leves e pesados.

A duplicação de todo o trecho, proposta e discutida há mais de dez anos, está posta de lado e mesmo obras ditas de readequação e correção de pontos críticos, como afunilamentos das pistas, são postergadas sem maiores satisfações. O mais próximo do concreto que existe hoje é a promessa do Ministério dos Transportes de ordenar, até o final do ano, liberação de recursos para que sejam atacados os problemas mais críticos.

Apenas uma possibilidade, sem nenhum carimbo definitivo, justificando plenamente a indignação do prefeito de Belo Horizonte, que é comum à maioria da população, e uma linha de conduta mais agressiva. Continuar esperando, continuar lamentando vidas perdidas, como agora mais uma vez ocorre, é que não é mais possível.

É necessário fazer ver que a questão não mais se resume ao Anel Rodoviário e a uma “adequação” que jamais poderá ser satisfatória. Na realidade, o essencial é fazer compreender que as condições de mobilidade sobre rodas na região metropolitana  não serão satisfatórias e não atenderão às demandas do grande entroncamento rodoviário nela existente sem que seja afinal encaminhadas providências que viabilizem e acelerem a implantação do Rodoanel de Contorno Norte, outra obra colocada na geladeira da indiferença com que tem sido tratados – e não é de hoje – no plano federal os interesses de Minas Gerais e sem que a bancada parlamentar mineira, além de outras forças políticas e empresariais, reajam à altura e com a contundência que se tornou impositiva.

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