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Opinião

12/09/2017

Editorial

Remédio que vira veneno
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O Comitê de Política Monetária do Banco Central prossegue na rota de cortes na taxa básica de juros, a Selic, desde a semana passada fixada em 8,25% ao ano, refletindo simultaneamente os bons resultados nas políticas de controle da inflação e a necessidade de dar estímulos consistentes à recuperação da economia. Conforme comentários ouvidos em Brasília, em círculos próximos à equipe econômica, as expectativas – desde que não ocorra nenhuma alteração brusca no ambiente político-econômico – são de que haverá mais um corte na próxima reunião do Copom, com a taxa Selic fechando o ano em 7,5%. Neste patamar e nas circunstâncias atuais o governo acredita encontrar o ponto de equilíbrio, dando por encerrado o atual ciclo de redução nas taxas de juros.

Tecnicamente, e numa avaliação que coincide com as opiniões de observadores externos, a equipe econômica julga ter encontrado o ponto de equilíbrio, em que a política monetária não inibe a economia, mas também não alimenta a inflação. Avançar para além desse ponto, efetivamente aproximando as taxas de juros praticadas no País da média mundial, é tarefa que só poderá ser cumprida, na visão do governo e do mercado, a partir do momento em que existir efetivo controle sobre os gastos públicos. Vale dizer, a partir de reformas em discussão, notadamente a do sistema previdenciário.

Esse discurso, por mais que seja repetido, continua ignorando um dado fundamental, representado pelo peso dos juros na composição da dívida pública ou, mais diretamente, no custo de sua rolagem. Essa conta, de longe a maior de todas, representa, em juros e amortizações, quase 45% do total de gastos reconhecidos no Orçamento Geral da União. Assim, e imaginando-se que, de fato, a taxa Selic chegue ao final do ano em 7,5%, o Estado brasileiro terá economizado, somente entre os meses de setembro e dezembro, pouco mais de 45 bilhões de reais. Em outras palavras, o corte nos juros se revela como etapa essencial do próprio ajuste fiscal.

O conhecimento e compreensão dessa realidade são fundamentais para as correções que estão apontadas nos manuais de economia e, antes, são ditadas pelo bom senso. Na direção contrária e dando consistência às evidências apontadas, estudiosos registram que se as taxas de juros reais fossem mantidas nos patamares do ano passado, a relação entre a dívida bruta e o produto interno dobraria em dez anos, chegando aos 140%. Por outro lado, se os juros reais forem mantidos em 3,6% ao ano nos próximos dez anos a relação se estabilizaria em 95% até 2025.

São conclusões objetivas e sobre as quais não cabem dúvidas, ajudando a compreender porque se costuma dizer que na economia os juros são remédio de uso restrito porque, usado além da conta, fatalmente se transforma em veneno.

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