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Opinião

13/09/2017

Editorial

Vender a prata e jantar fora
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Para fazer caixa o mais rapidamente possível e, dessa forma, tentar reduzir o déficit público, o governo federal aposta muito suas fichas no programa de privatizações. Não são poucos os duvidam que possa dar certo. Em primeiro lugar, como observou há dias o economista Eduardo Giannetti, porque o programa foi montado às pressas, sem as necessárias discussões, talvez para gerar ânimo no mercado financeiro e com a visão de cobrir déficits fiscais e gastos correntes. “Não se vende a prata para a família jantar fora”, resume o economista que também não acredita que haverá tempo, no atual governo, para cumprir o que foi anunciado.

O mesmo tempo foi destaque nos debates do Congresso Brasileiro de Economia, realizado na semana passada em Belo Horizonte, com manifesta preocupação com a possibilidade de que a venda de ativos brasileiros para grupos estrangeiros possa ganhar velocidade. Para eles, setores estratégicos da economia deveriam ser protegidos e controlados por empresas brasileiras, sejam públicas ou privadas. Para o economista Júlio Miragaya, presidente do Conselho Federal de Economia, “uma das premissas de uma nação efetivamente independente e soberana é o controle nacional sobre certos setores estratégicos da economia”.

Tais controles são explícitos em países avançados, como os Estados Unidos, e ao contrário do que se procura fazer crer, na ilusão de que este possa ser um atalho confiável para a eficiência. Conforme foi lembrado no Congresso, certamente que não, entre outras razões porque as grandes corporações estrangeiras mantêm suas áreas de pesquisa, tecnologia e desenvolvimento nos países onde estão suas matrizes. Por outro lado, suas políticas serão sempre ditadas por interesses que necessariamente não são os nossos, situação sobre a qual não faltam exemplos que seria oportuno ter em conta agora.

Por exemplo, a grande expansão industrial na segunda metade do século passado só foi possível com a oferta de energia elétrica garantida por empresas e capitais nacionais, que substituíram antigas concessionárias estrangeiras, cujos investimentos no País estavam congelados. É de se indagar se o País não voltará a correr o mesmo risco, raciocínio que igualmente se aplica à indústria do petróleo e do gás. Corrigir erros cometendo outros erros absolutamente não é sensato, assim como é absolutamente falsa a ideia de que não existem espaços para eficiência e correção em empresas públicas, não faltando no País exemplos de sucesso – como a Cemig ou a Usiminas em dias melhores –, que são postos de lado porque inconvenientes para os interesses que estão em jogo e não guardam proximidade com o que de fato convém ao Brasil.

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