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Opinião

07/10/2017

Editorial

Pés no chão e olho no futuro
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O setor de material de transporte, normalmente apontado como espécie de termômetro do comportamento e tendências da indústria, depois de três anos de baixa, começa a reagir, exibindo patamares de crescimento que estão acima do esperado. Os resultados do mês de setembro, segundo dados da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), foram excepcionais em Minas, com incremento de 45% nas vendas de veículos novos, em comparação com igual período do ano anterior. Entre os meses de janeiro e setembro, o incremento no Estado chegou aos 21%, números acima do crescimento nacional no período.

A reação mais forte, com os resultados de setembro sendo considerados fora da curva, é atribuída à ampliação da oferta de crédito, maior segurança da parte dos consumidores e aumento do poder aquisitivo, com ganhos decorrentes principalmente da queda da inflação. Para o ciclo de doze meses que termina em dezembro a expectativa da indústria é de crescimento entre 9% e 10% nas vendas internas, o dobro das projeções mais otimistas que eram feitas no início do ano. Tão discretas quanto possível, as montadoras que atuam no País, por enquanto, preferem não festejar, aguardando que os resultados sejam consolidados, sabendo que para retornar aos patamares anteriores à crise econômica, existe ainda um longo caminho a percorrer.

São incertezas que se aprofundam também por conta de grandes transformações que devem ocorrer no setor automotivo em todo o mundo, indicando não estar distante a substituição dos motores a explosão por propulsores elétricos, mais limpos e mais eficientes. Essa transição, em que outras fontes de energia, como o hidrogênio, também devem ser consideradas, se completará em no máximo duas décadas e muito provavelmente associada à introdução em escala de veículos autônomos. Tudo isso com impactos na forma como se utiliza o transporte individual e, conforme algumas previsões, na compra e posse de veículos.

A compreensão, tanto quanto possível, desse futuro e das mudanças que ele trará, condicionam investimentos e políticas públicas que estão sendo decididas agora e das quais as grandes corporações mundiais já dão sinais muito claros. O Brasil, no entanto, apesar de figurar entre os grandes produtores mundiais, parece ainda distante desse contexto e bastante tímido no que toca à discussão das mudanças que estão no horizonte e mesmo daquelas que já estão acontecendo, como a introdução – e produção incentivada – de veículos elétricos.

Não há como ficar fora dessa nova corrida e é precisamente nesse contexto que as perspectivas de retomada da indústria de material de transporte e de novos investimentos no setor devem ser tratadas.

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