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Opinião

11/10/2017

Editorial

Espaços a preencher
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Dentro de um ano os brasileiros estarão escolhendo, além do novo presidente da República, governadores, senadores e deputados, num processo que, segundo estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV), muito provavelmente será marcado pela renovação. A pesquisa indica que os brasileiros em grande maioria (80%) não confiam nos políticos e nos partidos, um terço dos eleitores diz que tendem a escolher candidatos novos, fora da política tradicional, e outro terço declara que pretende votar em branco ou anular seu voto. De qualquer forma, a maioria entende que eleições livres e diretas representam a melhor saída para a crise que o País enfrenta.

É nesse ambiente, e de forma ainda não plenamente assumida, que algumas candidaturas vão sendo articuladas e pesquisas de opinião tentam captar as preferências dos eleitores. São, essencialmente, movimentos repetitivos e, sobretudo, vazios de conteúdo, dando sinais de que, na órbita política, ambições continuam prevalentes enquanto faltam propostas concretas e compromissos explícitos que respondam às angústias do conjunto da população. Nada, em síntese, que sugira de fato alternativas para um país que precisa redefinir seus rumos, que não acredita no velho, mas ainda não enxerga o novo.

São espaços que não foram preenchidos e o tempo à frente parece exíguo para que permita que sejam desenhadas propostas consistentes, definidoras de rumos para a economia, cujos avanços representariam a possibilidade de resposta satisfatória às questões sociais e ao preenchimento das lacunas em que o Estado se faz ausente. Faltam respostas cruciais e alternativas, também para a desconfiança e o descrédito resultantes de sucessivos e continuados escândalos. Tudo isso recomendando claramente uma utópica construção de convergência, tendo como objetivo o bem comum, a ser alcançado a partir de políticas públicas melhor orientadas. E assim corrigir desigualdades, restabelecendo o equilíbrio que favoreça melhor aproveitamento das potencialidades do povo e da terra brasileira.

Eis o grande desafio que está colocado e que, de fato, como apontam os estudos da FGV, assinalados neste comentário, recomendam e dependem de renovação. Assim como do claro entendimento de que as respostas não serão encontradas apenas e exclusivamente através da escolha de novos mandatários, presidente e governadores que, por melhores que eventualmente possam ser, continuarão dependentes da base política mais ampla, parlamentar, onde a sociedade está representada e a democracia é de fato exercitada. É neste espaço e nesta possibilidade de confluência que se poderá, afinal, construir o futuro desejado e possível para todos os brasileiros.

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