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12/12/2017
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Opinião

12/10/2017

Editorial

Mudanças imperativas
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Nas últimas semanas as negociações em Brasília foram febris, tendo como pano de fundo a apreciação, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, da segunda denúncia do Ministério Público contra o presidente da República. Como esperado, uma segunda e importante vitória para o presidente Michel Temer, porém com evidentes sinais de fragilização da base do governo, portanto mais cara a sua sustentação até que se complete o mandato, dentro de pouco mais de um ano. Há também quem diga que, na realidade, deputados deram uma espécie de susto no governo, criando dificuldades para que na sequência possam vender facilidades, num processo contínuo de barganha que está na raiz da crise política e de governabilidade que o País enfrenta.

Dessa realidade nos fala, com propriedade, o embaixador Rubens Ricupero em seu recém-lançado livro “A Diplomacia na Construção do Brasil”. Ricupero, ministro da Fazenda no governo de Itamar Franco, lembra que a fragmentação partidária transformou a governabilidade numa espécie de negócio para alguns partidos, com a troca de votos por verbas, nomeações e propinas, numa escalada em que alguns políticos já não se vendem, alugam-se a cada votação pelo melhor preço. Nesse ambiente, lembra o diplomata, é virtualmente impossível construir maioria e assim o sistema político transforma-se em mecanismo de transferência de recursos da economia para os partidos, para os políticos e para uma multidão de intermediários, levando aos desvios que vão aos poucos sendo desvendados.

Em seu livro, Ricupero nos fala dos políticos de aluguel, abrigados em partidos que são pautados exclusivamente pelo oportunismo, distanciados de ideologias ou programas, exatamente como se revelam presentemente. Fala também das distorções desse processo e do alto custo que ele impõe. Para ele, tudo isso demonstra que os vícios e as doenças do sistema estão bem diagnosticados e a sua cura depende justamente das reformas que, embora exaustivamente debatidas, não são implementas em razão da resistência dos interesses contrariados e não de uma suposta complexidade das soluções. São lições de extrema atualidade e importância, seja para melhor compreensão do presente, seja para que finalmente aconteçam as mudanças ditadas pela razão.

São reformas estruturais sem as quais, independentemente de um aparente processo de acomodação transacionada, a ruptura, a um custo ainda mais elevado, se tornará cedo ou tarde inevitável. Os países que deram certo, lembra o embaixador Rubens Ricupero, foram aqueles em que as instituições se revelaram capazes de se transformar no tempo certo e na medida necessária. Falta saber se o Brasil está, afinal, nessa trilha.

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