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20/11/2017
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Opinião

14/11/2017

Editorial

A reforma empacada
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O presidente Michel Temer, que chegou ao Planalto apontando como prioridade máxima de seu governo o ajuste fiscal e, nessa linha, fazendo da reforma do sistema previdenciário uma espécie de bandeira, aparentemente mudou de opinião. A proposta inicial, apresentada como essencial ao equilíbrio das contas públicas, foi sendo emagrecida aos poucos, perdendo consistência, mas nem assim avançou. As barreiras políticas, sobretudo no que toca ao serviço público, onde residem os verdadeiros problemas, foram sempre mais fortes e mais eficazes, fato agora confirmado na prática.

Eis porque as mudanças inicialmente propostas foram sendo retardadas, ao mesmo tempo em que o discurso foi sendo suavizado. A ideia de que sem a reforma as finanças públicas entrariam em colapso em pouco tempo e seria impossível continuar pagando mesmo os benefícios já contratados, foi ficando de lado até chegar ao ponto atual, com uma espécie de enxugamento que mantém apenas alguns pontos da proposta inicial.

Objetivamente o governo está se curvando às evidências de que não tem força política para bancar mudanças que soam antipáticas e, a rigor, está tentando apenas salvar as aparências. Quem vier depois, em 2019, que cuide de descascar o abacaxi, até porque, mesmo desnutrida, existem grandes dúvidas quanto às possibilidades reais de mudar qualquer coisa antes disso.

Numa perspectiva objetiva, construída em sintonia exclusivamente com o interesse público, o atual governo está diante da obrigação de, pelo menos, se explicar melhor. Primeiro, para que se possa entender como e porque o quadro inicialmente pintado como de desastre iminente, se alterou a ponto de permitir que decisões mais amargas sejam postergadas. Segundo, esclarecer melhor e consistentemente, qual é a exata natureza do déficit e, portanto, das despesas com a Previdência e o que, afinal, mais pesa nesta balança, o trabalhador do setor privado, que em larga maioria se aposenta com um salário mínimo, ou o servidor público, que pode se aposentar precocemente e ganhando até vinte vezes mais.

A pergunta ajuda a entender porque exatamente nada avança e porque sucessivas tentativas de mudar foram sendo descartadas ao longo do tempo. Exatamente como acontece agora mais uma vez, quando não faltam políticos ponderando que nada deve ser alterado antes que as urnas das eleições de 2018 sejam fechadas, uma possibilidade bastante real. Tudo isso para demonstrar também que os princípios da boa gestão continuam sendo apagados em nome de interesses singulares, de um imediatismo que em nosso País também é problema crônico.

Resta concluir, diante do exposto, que nessa toada e ao contrário do prometido, fica também cada vez mais difícil restabelecer a confiança que antecede a retomada de investimentos privados.

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