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Opinião

15/11/2017

Editorial

Da vitória à derrota
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A história do século XX pode perfeitamente ser contada através da história do petróleo que, literalmente, moveu o mundo, seus conflitos e a própria economia. Na virada do século a situação não se alterou, embora as perspectivas indiquem que o petróleo seja menos utilizado como fonte de energia, queimado para movimentar motores de baixa eficiência, ganhando relevância na indústria química. O fato objetivo, que não pode deixar de ser levado em conta, é que o petróleo, tudo leva a crer, continuará ditando ainda por muito tempo o poder global.

É de se indagar, nesse contexto, qual o destino e qual o papel reservado ao Brasil que, segundo relatórios recentemente divulgados, tende a ganhar expressão global no setor, com um volume de produção que só será superado pela Arábia Saudita. Diante dessa perspectiva, na realidade quase certeza, cabe indagar se a sociedade brasileira tem plena consciência da relevância da questão e consequente obrigação de se impedir que o controle dessa riqueza e dessa fonte de poder seja transferida a terceiros. O Brasil claramente corre este risco e pode perder sua grande chance de inserção no mundo desenvolvido.

Os problemas que a Petrobras enfrentou e ainda enfrenta, por conta de um aparelhamento político que levou a um processo endêmico de corrupção, reclamam ações contundentes e o completo saneamento da empresa. Não pode significar, contudo, que a empresa deva ser desmontada e, em nome de um conceito absolutamente falso de eficiência, seus recursos e reservas sejam desnacionalizados. Um processo que parece estar em curso, que encontra defensores desavisados, e precisa ser detido, até porque suas consequências desastrosas já produzem efeitos.

Será bastante acompanhar o que está acontecendo com os preços internos dos derivados de petróleo. Desde que foi decidido, em instância superior de governo, que estes preços deveriam estar alinhados às cotações internacionais, o preço do gás de cozinha subiu mais de 60% e apenas nos dois últimos meses a gasolina subiu 19,6% e o diesel 11,3%. Estamos, na realidade, sendo atrelados à especulação internacional, ditada por interesses e forças das quais deveríamos tentar escapar a todo custo.

Esta é a questão central que nos remete à crise do petróleo nos anos 70 do século passado e, a partir de então, nos enormes esforços e investimentos realizados para expandir a produção interna. Tivemos sucesso, já alcançamos uma produção que chega próximo dos 3 milhões de barris/dia e podemos estar jogando tudo isso fora. Definitivamente não faz o menor sentido.

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