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Opinião

18/11/2017

Editorial

Hora de acordar para reagir
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Faltando menos de um ano para as eleições gerais, ganham corpo os movimentos visando à indicação dos candidatos que concorrerão à Presidência da República. Algumas candidaturas, ainda que informais face às exigências da legislação eleitoral, já estão colocadas e suas chances avaliadas, com algum grau de precisão e muito de conveniência, pelos institutos de pesquisa. Tudo, como regra, movido por velhas e bem conhecidas ambições, das quais o real interesse público parece continuar distante.

O entorno, aí incluídos setores da imprensa, além de entidades com aparente poder de mobilização e influência, se movimenta em sintonia, parecendo ignorar uma verdade que deveria estar sendo escancarada. Na realidade e face às circunstâncias que se apresentam, importa muito pouco discutir entre os candidatos que se apresentam à corrida presidencial, qual deles seria o mais indicado. O debate e as possíveis escolhas, por enquanto, têm como foco exclusivo as chances de cada um dos eventuais competidores, ficando sua qualificação e, menos ainda, seus propósitos, como algo bem próximo de mero adorno. Mais uma vez, e tragicamente, os projetos são, todos eles, de poder e não de governo.

Fosse diferente, houvesse real preocupação com as dificuldades que o País enfrenta e a soma de incertezas com relação ao futuro próximo, e se estaria discutindo até antes de qualquer projeto de poder um projeto de Estado. Onde estamos e aonde pretendemos chegar deveriam ser a questão de maior interesse. Inclusive, e sobretudo, para ajudar a induzir a conclusão, diante das características do modelo político brasileiro, que importante mesmo será a escolha de parlamentares, em todos os níveis, capazes de oferecer suporte mais legítimo e consistente aos ocupantes de cargos no Executivo, em especial o presidente da República, sem o que não será dado nenhum passo adiante.

De outra forma, é evidente, estarão sendo repetidos os mesmos erros e permanecerão os mesmos riscos, pouco importando quem venha a ser, afinal, escolhido para ocupar a cadeira presidencial para logo se transformar numa espécie de refém de seus apoiadores. Tudo isso no mesmo mundo à parte em que Brasília se encontra, distante do Brasil real, de suas aflições e urgências, distante dos brasileiros e suas necessidades mais elementares. Pensar ou dizer o contrário, independentemente das candidaturas colocadas ou daquelas que ainda venham a se apresentar, é o mesmo que repetir o engodo que nos vem custando tão caro.

Cabe esperar que ainda haja tempo para que os brasileiros, aqueles que pedem votos e aqueles que votam, possam acordar, compreender e reagir.

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