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Opinião

05/12/2017

Editorial

Sem tempo para esperar
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Se não houver nenhuma mudança de última hora na agenda, um grupo de empresários mineiros, integrantes do fórum que reúne as principais e mais influentes entidades de classe, estará amanhã em Brasília. Viajam para um encontro com a bancada parlamentar mineira e com o objetivo específico de demonstrar sua preocupação com as indefinições quanto às reformas no País, em especial a do sistema previdenciário. Obviamente reclamarão uma mudança de comportamento para que decisões cruciais sejam afinal tomadas.

Nos meios políticos as preocupações não parecem ser as mesmas. Tanto assim que as mudanças propostas no ano passado foram, como disse alguém, desidratadas, mas nem assim as chances de aprovação melhoraram. Na semana passada, integrantes do PSDB, que estão deixando a base do governo, mas diziam defender as reformas, pediram novos cortes e ouviram como resposta que o governo não tem mais o que cortar. Resultado, faltam votos, ficando cada dia mais distante a possibilidade de aprovação ainda neste ano. E como que para salvar as aparências já há quem diga que o assunto poderá ficar para depois do Carnaval.

Todas as contas e todos os cálculos são feitos exclusivamente de duas maneiras, com um grupo esticando a corda das concessões e favores cobrados do governo e outro simplesmente dizendo que o assunto é muito delicado para ser abordado às vésperas de eleições. Ninguém, absolutamente ninguém entra no mérito da questão, seja para tentar situar a exata dimensão do problema e sua verdadeira natureza, seja para propor alternativas diante da alegada ameaça de que as finanças públicas entrarão em curto-circuito em pouco tempo, caso nada seja feito. O imediatismo, que sustenta a indiferença, é tanto que a possibilidade de colapso da própria Previdência, ameaçando igualmente aposentados e pensionistas de hoje e de amanhã, é discutida a sério, possibilitando, afinal, a construção de alternativas afinadas com o interesse público, com o bem coletivo, atributos que em Brasília não parecem entrar nas cogitações.

A bomba que ameaça explodir foi armada faz bastante tempo e dela já se tinha notícias no governo de Fernando Henrique Cardoso, quando a questão da reforma foi colocada em pauta. O assunto não avançou simplesmente porque esbarrou nos mesmos obstáculos que continuam presentes e traduzidos em interesses que não se pode contrariar porque em última análise são também os interesses da maioria dos políticos, num jogo em que são as raposas que tomam conta do galinheiro.

Eis a verdadeira natureza da questão e o tamanho do problema que os empresários mineiros enfrentarão amanhã em Brasília. Que tenham boa sorte.

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