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Opinião

06/12/2017

Editorial

Patrimônio a preservar
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O grupo Mendes Junior, hoje representado pela empresa Mendes Junior Trading e Engenharia, deu mais um passo no rumo de sua reestruturação e recuperação, com a realização, na semana passada, de assembleia reunindo seus credores, com os quais começa a ser acertado o reescalonamento de débitos, nos termos do processo de recuperação judicial em andamento. As discussões avançaram de forma positiva, conforme avaliação de especialistas, facilitando um acerto final que resguarde os interesses dos credores e assegure a recuperação da companhia, hoje responsável por quatro mil empregos diretos e outros vinte mil indiretos.

O grupo, que chegou a ser a maior empreiteira em operação no País e nos anos 80 do século passado manteve grandes operações na América Latina, África e Oriente Médio, com uma carteira de clientes de importância global, iniciou suas atividades no ano de 1953. Um período que coincidiu com rápida expansão da economia nacional, abrindo espaço para grandes obras rodoviárias, construção de usinas hidrelétricas e de Brasília, sempre com ativa participação do grupo mineiro. Com tal capacitação a empresa ganhou dimensão internacional, destacando-se sua atuação no Iraque e, indiretamente, em obras tão relevantes quanto a hidrelétrica de Três Gargantas, na China.

Essa trajetória ascendente foi interrompida, essencialmente, por conta do passivo que a empresa acumulou no Iraque, em operações cruzadas com o governo brasileiro e, mais recentemente, como consequência de seu envolvimento com irregularidades em contratos na esfera pública. Hoje a empresa está proibida de fazer novos contratos nessa área e, tendo reconhecido as ilicitudes em que se envolveu, luta para levar a bom termo sua própria reconstrução. Cabe esperar que também essa etapa, da qual o acordo com credores é parte essencial, se cumpra satisfatoriamente.

O que não se pode imaginar, e muito menos aceitar, é que a Mendes Junior acabe sendo desmontada como resultado dos problemas em que se envolveu e foi envolvida, pondo a perder todo um acervo que não se conta apenas pelos empregos que oferece ou pela rede de fornecedores que em torno dela gravitam. A Mendes Junior com toda certeza é muito mais, representando os melhores padrões da engenharia nacional e um know how que não se pode abandonar, sob pena de que os prejuízos sejam ainda maiores. Este, acreditamos, é também um ponto crucial.

Que os delitos sejam apurados, as responsabilidades estabelecidas e, afinal, atendidos os preceitos legais. Mas que nada disso signifique comprometer a experiência e o conhecimento que a Mendes Junior acumulou em mais de 60 anos, honrando a engenharia nacional.

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