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Opinião

12/12/2017

Editorial

Sem mudanças, sem horizontes
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Repetindo movimentos que parecem ensaiados de tão repetitivos, políticos se movimentam de olho nas eleições presidenciais de 2018. A rigor e até agora sem nada de novo, inclusive com alguns candidatos assumidamente no jogo preferindo negar tal condição, repetindo que eleição é assunto para o próximo ano. Em torno dos nomes que estão colocados desenham-se preferências que pesquisas de opinião, com maior ou menor acuidade, vão registrando, em movimentos também repetitivos. Diante das proporções das dificuldades que o País enfrenta, do descrédito que acompanha a quase maioria dos políticos e seus partidos, da crise ética que ganha proporções epidêmicas, da sucessão de escândalos que se desdobram na gestão pública, essa aparência de normalidade evidentemente não tem como se sustentar. É tão falsa quanto os sorrisos e as promessas dos candidatos.

Muito dificilmente das candidaturas que estão colocadas e daquelas que ainda poderão despontar, surgirão respostas consistentes aos desafios que estão colocados. Desafios, cabe lembrar, que em larga medida dizem respeito exatamente à procrastinação de reformas e mudanças que estão prescritas desde a redemocratização. Dentre elas, com evidente primazia, a reforma política que alguém um dia disse que deveria preceder a todas as demais reformas. Eis porque as eleições do próximo ano parecem fadadas a ser pouco mais – ou pouco menos – que apenas a repetição de um ritual, sem espaço para ilusões quanto à possibilidade de grandes transformações.

Pesquisas de opinião divulgadas na semana passada deram forma àquilo que, intuitivamente, já se sabia. A rejeição ao Congresso Nacional atingiu proporções inéditas, nunca antes registradas, com 60% dos entrevistados dizendo que consideram ruim ou péssimo o desempenho de deputados federais e senadores, enquanto a aprovação não passa dos 5%. Por outro lado, não é esperado que nas eleições de 2018 a renovação alcance proporção equivalente. Aqui também não há porque esperar mudanças porque, além do mais, a estrutura partidária a rigor também não sofreu alterações, indicando que o jogo de interesses se mantém absolutamente de pé.

Disso nos dão conta também os movimentos ensaiados por partidos, políticos e candidatos, em que continua transparecendo exclusivamente ambição e busca de poder. Uns são contra outros a favor, posições de qualquer forma sempre instáveis, e as ambições ditam a conduta. Como sempre e mais uma vez em torno de projetos de poder, sem que ninguém pareça de fato em construir respostas e projetos para as grandes questões que continuam a nos desafiar.

Não muda o cenário, não muda o enredo e, talvez, não mudem também os personagens.

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