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Opinião

11/01/2018

Editorial

As paredes vão subindo
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No que toca ao andamento da economia, as previsões para o Brasil, nesse início de ano, são no geral positivas, indicando consolidação do processo de recuperação, depois de três anos de baixa. Como já foi dito, a variável que pode alterar a curva dos gráficos diz respeito à conjuntura política, cujos rumos estão ainda distantes de qualquer definição clara, por mais curto que seja o prazo para cumprimento do calendário eleitoral.

Nas avaliações que vêm sendo feitas e nas quais as previsões de expansão da economia têm sido sistematicamente revisadas para mais, hoje com previsão de que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) possa chegar aos 3% este ano, uma outra variável deve ser considerada. Estamos falando da conjuntura externa, das expectativas com relação ao comportamento da economia global, consequentemente da demanda e das variações de preços das commodities que mais de perto interessam ao Brasil. Existem, também nesse campo, razões objetivas para preocupações.

Chamam a atenção, a respeito, conclusões de estudos divulgados na semana passada pela consultoria Eurasia, que opera a partir dos Estados Unidos, em que o crescimento do protecionismo é apontado como ameaça potencial para uma crise que pode ser comparada aos acontecimentos de 2008. Segundo os estudos, as mudanças ditadas pelo governo Trump – America first – podem estar corroendo a liderança do país, elevando no seu entendimento o risco global. São mudanças que afetam em primeiro lugar as relações de comércio, mas tem igualmente potencial geopolítico de importância crescente, num desbalanceamento, notadamente a partir da expansão da China, cujas exatas consequências ainda não se pode avaliar.

O isolamento é a primeira consequência previsível desse processo, chamando atenção, lembra a consultoria, que a origem dos investimentos externos é cada vez mais monitorada pelos países, na tentativa de evitar o controle estrangeiro sobre empresas e tecnologias consideradas sensíveis. Nesse particular o Brasil parece trafegar pela contramão, seria possível acrescentar. “As paredes estão subindo”, avalia o estudo, com os governos apelando ao protecionismo como se estivessem defendendo empregos locais, fazendo exatamente o contrário do que foi dito e repetido ao longo dos últimos anos e sugerindo na prática que a globalização não faz nenhum sentido.

É nesse contexto que o Brasil terá que se movimentar, às voltas com os seus próprios problemas. São pontos a ponderar, não resta a menor dúvida, tendo em conta o comportamento do comércio internacional e, igualmente, dos fluxos de investimentos, aos quais somos dependentes e, na mesma medida, bastante vulneráveis.

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