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Opinião

12/01/2018

Editorial

Desperdícios movidos a jato
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Para os ocupantes do Palácio do Planalto, a estas alturas a única certeza é que as contas não fecham. O prometido ajuste fiscal, cuja receita no início incluía “cortar na carne”, ficou no meio do caminho, empacado nas mãos de parlamentares que dão preço a seus votos e, para piorar, temem que a aproximação das eleições exija atitudes sempre simpáticas, mesmo que falsas. Diante dos fatos e sem poder apostar no futuro, o governo, em Brasília, depois de tentar sem sucesso flexibilizar leis que tornariam possível a contratação de empréstimos mesmo que para pagar despesas de custeio, informa agora que serão necessários cortes drásticos. E para fazer medo, dizem que a tesoura pode ser orientada até mesmo para áreas tão sensíveis quanto saúde e educação, sem contar o programa de recuperação de rodovias, em que pelo menos 60%, segundo pesquisas recentes, estão em condições precárias.

Desnecessário, a estas alturas, discutir porque, afinal, o setor público está na lona, sem dinheiro até para atender a emergências, como na área de saúde em que dezenas ou milhares de brasileiros perdem a vida porque não têm acesso, a tempo e a hora, a exames até elementares. Muito dinheiro foi parar em apartamentos transformados em caixas-fortes, outro tanto circula em malas e até cuecas, sem contar tudo que continua bem escondido - e protegido – em paraísos fiscais, onde as excelências brasileiras, depositantes, muito possivelmente, têm como colegas mafiosos e traficantes.

Enquanto isso, na superfície, agentes públicos brasileiros, justamente os mais graduados, continuam se comportando como se nada de diferente esteja acontecendo. E como no passado, quando os carros oficiais, os famosos “chapas-brancas”, eram um dos melhores símbolos de fastígio, desperdício e abusos à custa do contribuinte.
Desapareceram, transformados em coisa menor, quase desapercebida. Hoje tem valor, são sinais de poder e de prestígio, os jatinhos, mais importantes quando o desprestígio dos políticos lhes tornou quase impossível frequentar aeroportos e voos comerciais.

Assim é que informações recentes dos ditos órgãos competentes dão conta de que no ano passado aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) realizou pelo menos 2.445 voos transportando as excelências da República e, não raro, convidados que, houvesse mais rigor, não passariam pelos filtros existentes ou, antes, seriam barrados por valores éticos que andam um tanto esquecidos. Essa farra custou, por baixo e conforme as informações oficiais, pelo menos R$ 5 milhões, dinheiro que poderia estar ajudando a tapar buracos de que as próprias autoridades dão conta. Cabe esperar que um dia essa conta seja afinal cobrada.

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