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Opinião

13/01/2018

Editorial

Mudar e não sair do lugar
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Um velho político, uma daquelas raposas bem calejadas que desapareceram para dar lugar aos pragmáticos de hoje, costumava dizer que qualquer de seus pares, desde o humilde vereador de uma pequena e distante cidade do interior, seria sempre, potencialmente, candidato à Presidência da República. Tudo uma simples questão de oportunidade, de estar no jugar certo na hora certa. Falta menos de um ano para as eleições deste ano e o velho político se faz lembrar.

E na figura, por exemplo, do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que conquistou sua cadeira com pouco mais de 50 mil votos e teria chegado a dizer a um amigo que muito provavelmente seu atual mandato seria o último. Hoje ele pensa diferente, é o segundo na linha de sucessão e imagina que tem todo direito de pleitear a primeira cadeira, tanto que já fala abertamente no assunto, inclusive antecipando possíveis alianças e organizando caravana para percorrer o País. Conhecer e se tornar mais conhecido, repetindo o receituário clássico na matéria.

Maia tem todo direito de cultivar suas ambições, assim como os demais que vão aos poucos se insinuando. Impressiona, no entanto, que faltando apenas 10 meses para a votação, nada, absolutamente nada, pareça certo ou definido. Da mesma forma que assusta que não existam quaisquer esboços de programas de governo, sequer propostas objetivas que apontem pelo menos um rumo diante dos sérios problemas que o País enfrenta e que, tudo leva a crer, serão ainda maiores para o futuro inquilino do Palácio do Planalto. Sobram ambições, sobra vaidade, alianças improváveis são esboçadas antecipando que adiante as mesmas distorções serão reproduzidas, e ninguém fala a sério de um programa para o Brasil, como se bastasse a dança de cadeiras para que algum tipo de milagre aconteça.

Tentar adivinhar, hoje, quem será o próximo presidente da República é bastante difícil, virtualmente impossível. Mas tudo indica, independentemente do que vier a acontecer, que as peças se ajustarão, construindo fidelidades sempre instáveis e a um custo cada vez maior, comprometendo a gestão, anulando o mérito e deixando abertos espaços que aproveitadores, talvez os mesmos, rapidamente saberão ocupar. Porque os projetos continuam sendo pessoais, movidos pela vaidade e pela ambição, sem lugar algum para os compromissos que deveriam ser dados como inerentes à vida pública, a partir dos quais se imaginaria possível construir um projeto de Estado que, finalmente, desse lugar aos projetos de poder que vão se repetindo ao longo do tempo.

Faltam apenas dez meses para que os brasileiros sejam chamados a escolher mas, infelizmente, nada indica que haverá chance de escolha, com o ritual sendo cumprido apenas para encobrir uma farsa.

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