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Opinião

07/02/2018

Editorial

Lucro com ética e responsabilidade
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No último fim de semana, o Brasil e, em especial, os produtores e exportadores de bovinos foram surpreendidos com a suspensão, pela 25ª Vara Cível Federal de São Paulo, do embarque, pela Minerva Foods, de 25 mil bois vivos para a Turquia. A decisão, após inspeção técnica, acolhia denúncia do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, que alegava péssimas condições climáticas, sanitárias e alimentares dos animais tanto no transporte quanto no acondicionamento no navio.

No entanto, no último domingo, em acolhimento à Advocacia-Geral da União (AGU), o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) cassou a liminar que impedia a exportação, alegando que, diante da impossibilidade de limpeza do navio no porto de Santos, por questões ambientais, e considerando que a permanência no navio poderia gerar ainda mais sofrimento e desgaste aos animais, a viagem deveria prosseguir.

Outra argumentação contida na decisão, desta vez de ordem econômica, é de que a suspensão das exportações “enseja grave risco de lesão à agropecuária nacional”, uma vez que, por determinação da 25ª Vara Cível Federal de São Paulo, os animais deveriam retornar às fazendas de origem, cancelando a entrega da carga.

Esse episódio, protagonizado por uma organização não governamental em defesa dos animais, acontece menos de um ano depois de a pecuária brasileira enfrentar o escândalo da Operação Carne Fraca, deflagrada em março do ano passado, colocando em dúvida o controle sanitário nos frigoríficos e fechando diversos mercados para a carne brasileira.

O que chamou atenção não foram apenas as condições dos animais. Segundo informações divulgadas pela imprensa, no caminho até o porto de Santos, o deslocamento já havia causado outros danos ambientais. O despejo de dejetos, em via pública, teria contaminado a rede de drenagem do município, levando a prefeitura de Santos a aplicar duas multas à Minerva Foods, sendo a primeira, de R$ 1,47 milhão, por irregularidades no transporte.

A outra multa, de R$ 2 milhões, foi aplicada por poluição atmosférica, “causando desconforto respiratório e olfativo à população da região central, do Valongo [bairro próximo ao centro e à região portuária] e adjacências”.

Esse acontecimento serve de alerta. Nesse momento em que o consumo mundial tem sido cada vez mais pautado por critérios de sustentabilidade, condutas como as atribuídas ao frigorífico tendem a ser cada vez menos aceitas tanto pela sociedade brasileira quanto pelo mercado internacional.

A pecuária é importante fonte de renda e empregos para o País, mas o negócio de uma empresa não pode comprometer a credibilidade de todo um setor e não pode prevalecer sobre os direitos dos cidadãos, afetados não apenas pelos maus-tratos aos animais, mas também pelos dejetos e mau cheiro deixados pelo caminho. O rastro dessa atividade econômica, como bem sabem os bons empresários e técnicos da área, deve ser o de um manejo correto e de um alimento saudável. Somente assim, com ética e responsabilidade, os mercados se abrirão para a pecuária brasileira e para as demais atividades econômicas do País.

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