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Opinião

13/03/2018

Editorial

Política de alto risco
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Apesar da inflação em queda acentuada e dos preços em geral em situação de acomodação, em parte porque inexistem pressões de demanda, os reajustes para os preços dos derivados de petróleo, consequência das políticas adotadas em meados do ano passado, começam a produzir incômodos.  E, nos gabinetes mais importantes de Brasília, uma maior sensibilidade em relação ao tema, que se torna mais e mais incômodo quanto mais próximas estiverem as eleições.

O discurso oficial não mudou e prevalece a ideia central de que a Petrobras é livre para adotar sua política de preços, o que em termos práticos significa estabelecer paridade com as flutuações internacionais. Parece racional e inteligente, principalmente considerando a pilhagem de que a empresa foi alvo em anos recentes, mas é também evidente que não é nada racional pretender transferir essa conta para os bolsos dos consumidores, perdendo de vista que o petróleo é commodity bastante volátil e sujeita a variações que pouco ou nada têm a ver com os movimentos próprios da economia.

É justamente essa instabilidade que dita, no mundo inteiro, políticas de defesa e proteção de interesses nacionais e faz crescer, para o Brasil especificamente, a importância da Petrobrás e das reservas de petróleo e gás sob seu controle. Eis porque não faz sentido que para conter a rapinagem de que a empresa foi alvo e promover a sua recuperação seja preciso relegar seu papel estratégico a segundo plano, questão que se aplica à política de preços. Interessa, nesse particular, quanto custa e quais são as margens adequadas para o petróleo que a empresa produz e não as flutuações externas, quase sempre artificiais e manipuladas.

As flutuações dos preços praticados internamente, muito acima da inflação, só não são percebidas em sua intensidade justamente devido à acomodação de outros preços, mas, ao que tudo indica, a majoração dos preços do gás de cozinha, que atinge em cheio a população de baixa renda, começa a produzir estragos que assustam políticos em campanha. Daí a ideia de mudanças, mesmo que a questão central não seja posta em discussão. A recomendação, ao contrário, é para que seja reavaliado o impacto dos tributos sobre os preços finais dos derivados de petróleo. Não mais que de repente descobriu-se em Brasília que se os preços sobem, os tributos e taxas recolhidos também sobem, o que significa que existiria aí algum espaço para manobra.

São pontos a considerar, não há dúvida, e não apenas por conta das preocupações com os humores dos eleitores. Antes de tudo é preciso entender que o País lutou e investiu muito para chegar à posição que alcançou não fazendo o menor sentido pôr tudo a perder, servindo a interesses que não são os seus.

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