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Opinião

11/04/2018

Editorial

Advertência a considerar
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Reza a sabedoria popular que gato escaldado tem medo de água fria e este pode ser o caso das reações às declarações do comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, relativas ao momento político que o País atravessa. Quem tem memória, quem guarda na lembrança particularmente os acontecimentos de 1964, se assustou. Não faltou, inclusive, quem entendesse na mensagem publicada em rede social uma advertência, quase intimidação, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que no dia seguinte julgaria o pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula.

Os precedentes, mesmo considerando que a atual geração de militares não tem porque carregar os pecados – e muito menos as culpas – dos generais de 64, autorizam a polêmica criada. Assim como não se pode perder de vista que os cânones militares não autorizam este tipo de manifestação que, inclusive, comportaria reprimenda a seu autor.

Os fatos objetivos, no entanto, não impedem que a realidade seja enxergada e, dessa forma, também as proporções da crise institucional que o País enfrenta, com suas estruturas políticas sob risco real de colapso, afetando severamente toda a esfera pública.

Lembra oportunamente o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que não existe, não pode existir, solução para o País à margem da Constituição e que os males da democracia são preferíveis aos erros do passado. Quando o general Villas Boas diz que “o Exército brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia”, ele está falando a mesma coisa. E deveria, por isso mesmo, gerar tranquilidade quando acrescenta que o Exército “se mantém atento às suas missões institucionais”. É o que se espera e é o que a sociedade exige, no pressuposto do bom funcionamento das instituições.

Nesse ponto, igualmente crucial, existe sim motivo para real preocupação, caso o processo de enfraquecimento e deformação das instituições políticas, cuja integridade e representatividade estão fortemente abaladas, não seja detido e revertido rapidamente.

Este virtual esgotamento produz, claramente, um vazio que abre espaços às aventuras e
aos aventureiros ou, antes, sustenta um salve-se quem puder do qual os cidadãos de bem, a ampla maioria da sociedade, está excluída.

Deixar de perceber a realidade qual como ela se apresenta será, portanto, mais um erro e é neste contexto, entendemos, que deve ser colocada e avaliada a fala do general, não como ameaça ou usurpação, mas como uma advertência que convém considerar.

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