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Opinião

14/04/2018

Editorial

Intervenção perde para a burocracia
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A intervenção federal no Rio de Janeiro tem data para terminar e o ministro da Defesa voltou a afirmar, esta semana, que o prazo final continua sendo o último dia do mês de dezembro. Sendo assim e diante das proporções dos problemas a enfrentar é fundamental que o processo ganhe velocidade, sem o que parece impossível cumprir os objetivos traçados no prazo estimado, frustrando-se as expectativas da população carioca e dos demais brasileiros, de todas as latitudes, igualmente atingidos pelo avanço da criminalidade e pela incapacidade do Estado de conter este processo.

São preocupações reforçadas pelo anúncio feito pelo interventor Braga Neto de que passado pouco mais de um mês desde a decretação da intervenção, as forças sob seu comando tiveram que adiar pelo menos seis dezenas de ações por falta de recursos. Segundo ele, e apesar das promessas de que todas as condições para o sucesso da missão seriam garantidas, até o início da semana os R$ 1,2 bilhão liberados quinze dias antes por ordem direta do presidente da República ainda não haviam chegado. E, simplesmente, por conta de questões burocráticas, como a nomeação de integrantes da equipe de intervenção.

Quando as tropas federais desembarcaram, simbolicamente, no Rio de Janeiro, o general interventor alertou que a população não sentiria, imediatamente, os efeitos da intervenção, mas garantiu que melhorias no que chamou de “sensação de segurança” seriam mais imediatas. Resultados concretos, adiantou, serão percebidos em quatro meses aproximadamente. Não foi o que aconteceu. Ao contrário, a percepção é de que a violência até aumentou, como se estivesse havendo uma reação, ou enfrentamento, de proporções inesperadas, numa relação de forças ainda desequilibrada.

Foi atribuída ao presidente Temer a afirmação de que o movimento por ele ordenado teria sido um “golpe de mestre”, capaz de desviar as atenções do público e até reverter os baixos índices de aprovação com que ele tem convivido, com impacto direto nas eleições de outubro e podendo alimentar o sonho de entrar no jogo, apresentando-se como candidato à reeleição. São conjecturas que parecem fazer algum sentido, mas que derreterão caso resultados não possam ser percebidos mais rapidamente.

Tudo isso significa dizer que também nesta dimensão não existem chances para erros e tampouco tempo a perder. A população do Rio de Janeiro, aterrorizada, não tem como continuar esperando, as forças militares não têm porque abraçar uma causa perdida e não parece ser razoável imaginar que o “golpe de mestre” imaginado pelo presidente tenha sido apenas retórica. Muito menos acreditar que a missão, em que se espelhariam novas políticas de segurança pública para todo o País, possa mesmo ser dada por concluída no último dia do ano.

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