17/07/2018
Login
Entrar




Opinião

17/04/2018

Editorial

Mesmos argumentos e mesma insensatez
Email
A-   A+
Em março de 2003, tropas dos Estados Unidos, liderando uma “coalisão” reforçada por forças da Grã-Bretanha, Polônia e Austrália, deram início à invasão do Iraque. A pretexto de apear do poder o ditador Saddam Hussein, acusado de ser dono de um arsenal de armas químicas capaz de ameaçar o planeta e, simultaneamente, restaurar a democracia no país, atacaram e ocuparam o país, mesmo com oposição da Organização das Nações Unidas (ONU). As armas químicas nunca foram encontradas, até porque rapidamente se comprovou que as alegações eram mentirosas, mas a ocupação foi mantida e a guerra que se arrastou durante alguns anos foi como que o adubo para o surgimento do Estado Islâmico, ampliando a instabilidade na região, além de causar centenas de milhares de vítimas, civis principalmente.

Antes do ataque, cinicamente celebrado como destinado à “libertação” do Iraque, não faltaram sinais de alarme, no mesmo tom que antecede conflitos militares, num esforço de propaganda em que a verdade costuma ser o elemento menos consistente e relevante. Ou a Primeira Vítima, título do livro escrito pelo jornalista e correspondente de guerra Phillip Knightley e lançado em 1975, demonstrando como os jogos de informação e contrainformação desde a Guerra da Crimeia ao Vietnam, foram tão importantes quanto os canhões.

Nada parece ter mudado, indicam os recentes acontecimentos na Síria, em que mais uma vez Estados Unidos e Rússia, representando polos antagônicos, fazem subir a temperatura, tendo como pano de fundo, novamente, armas químicas utilizadas num suposto ataque a civis nas proximidades de Damasco. E o bastante para o presidente Donald Trump ordenar novo ataque a Damasco, atingida por pelo menos cem mísseis na sexta-feira, enquanto aviões britânicos e franceses bombardeavam a cidade. Como em outras ocasiões, fala-se novamente em ataques “cirúrgicos”, tendo como alvo exclusivamente fábricas e depósitos de armas. Nada que tenha sido comprovado por fontes independentes.

Para além dos protestos de praxe, não houve, da parte dos russos, qualquer reação concreta, afastando, pelo menos de imediato, os riscos de um embate direto entre as duas superpotências. Até neste aspecto os ingredientes parecem os mesmos e se repetem, num exercício em que não cabem lógica ou bom senso. Tudo isso como se fosse absolutamente irrelevante considerar que a guerra civil na Síria produziu em sete anos quinhentos mil mortes e milhões de refugiados, além de novos elementos para a instabilidade no Oriente Médio, onde o que menos parece contar é o sofrimento e o destino da população local.

Publicidade

Aproveite! Assine o DC e tenha notícias exclusivas

Leia também

17/07/2018
EDITORIAL | Futuro fica para depois
A Câmara dos Deputados está em recesso, em nome das férias parlamentares, mas em termos práticos isso significa que a atual legislatura, que definitivamente não...
17/07/2018
Do mundo a ser conquistado
O Brasil não vende, com raras exceções, mas é comprado. Nossos principais produtos de exportação são comprados pelos importadores que, na sua...
17/07/2018
As sugestivas revelações da Copa
“numa arquibancada, nos apertões de um  estádio,(...) vejo e escuto o povo em plena criação”. (José Lins do Rego) Futebol é mesmo uma...
17/07/2018
Delações premiadas e prisões preventivas
Não resta dúvida de que o instituto jurídico da colaboração premiada é um avanço em nosso ordenamento jurídico, possibilitando ao Estado...
14/07/2018
EDITORIAL | Andando em círculos
“Reafirmo a absoluta incompetência do juízo plantonista para deliberar sobre questão já decidida por este Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo...
› últimas notícias
Prado Shopping não deve ser inaugurado até 2020
MPF pede cassação de fase 3 do Minas-Rio
Arrecadação estadual registra redução de 13,4%
Produção de minério de ferro da Vale recua em Minas Gerais
Vale D'ouro investe R$ 15 mi para atender mercado externo
Leia mais notícias ›
› Newsletter
O melhor conteúdo exclusivo e gratuito no seu e-mail:




Cadastrar
› Mais Lidas
Leia todas as notícias ›
Publicidade
› Assine o DC

Acesso completo

aos conteúdos online e versão impressa.
Único jornal especializado em Economia, Negócios e Gestão de Minas Gerais.
Ferramenta indispensável para fazer bons negócios.
› Edição Impressa


17 de julho de 2018
Conteúdo exclusivo para assinantes
› DC no Facebook
 
© Diário do Comércio. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.